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Redação 07 de Abril, 2026
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BYD é incluída na “lista suja” do trabalho escravo após denúncias na Bahia

Bahia
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Redação 07 de Abril, 2026

Caso envolve construção da fábrica em Camaçari, anunciada como maior polo de veículos elétricos da América Latina

O governo federal atualizou nesta segunda-feira (6) a chamada “lista suja”, que reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Entre os 169 novos nomes incluídos está a montadora chinesa BYD, responsável pela instalação de um megacomplexo industrial em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

A inclusão da empresa ocorre após denúncias de irregularidades durante a construção da fábrica, em 2024, quando fiscais resgataram trabalhadores em condições degradantes. Foram relatados alojamentos precários, retenção de documentos e jornadas exaustivas. O caso repercutiu nacionalmente por envolver um dos maiores investimentos industriais recentes na Bahia, celebrado pelo governo estadual e federal como símbolo da transição energética e da industrialização verde.

O complexo da BYD foi inaugurado em outubro de 2025, com investimento estimado em R$ 5,5 bilhões e capacidade para produzir até 300 mil veículos elétricos por ano. A expectativa era de geração de 20 mil empregos diretos e indiretos, consolidando a Bahia como polo estratégico da indústria automotiva sustentável.

Com a inclusão na lista, a montadora passa a ter restrições para acessar financiamentos públicos e linhas de crédito oficiais, além de enfrentar forte desgaste de imagem. O episódio expõe a contradição entre o discurso de inovação e sustentabilidade e as práticas trabalhistas denunciadas.

Segundo o governo, a atualização da lista resultou no resgate de 2.247 trabalhadores em diferentes setores, incluindo serviços domésticos, criação de bovinos e cultivo de café. No total, o cadastro reúne agora 613 empregadores.