Juazeiro: Campanha da prefeitura gera polêmica por conteúdo considerado racista
Na manhã desta sexta-feira (11), moradores de Juazeiro denunciaram uma campanha publicitária da prefeitura da cidade, que conta com outdoors espalhados por diversos pontos. A ação, que divulga o programa “Juazeiro Limpa”, gerou repercussão após exibir a imagem de um homem negro segurando uma vassoura, representando os profissionais da limpeza urbana.
A denúncia foi publicada pelo Portal Preto no Branco. “É uma campanha de muito mau gosto. Na imagem aparecem quatro pessoas, duas delas brancas, mas justamente o homem negro é quem está com a vassoura na mão. A impressão que passa é de que apenas pessoas negras são responsáveis pela limpeza”, afirmou uma moradora.
Outro morador também criticou a forma como a mensagem foi construída. “Esse tipo de abordagem é antiquado. Não há problema algum em trabalhar com limpeza, mas é importante lembrar que, historicamente, a figura da pessoa negra foi associada a papéis de serventia”, comentou.
O programa Preto no Branco, da rádio Transrio FM, também relatou o caso e destacou a insatisfação da população.
Logo depois, a União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO) – núcleo Juazeiro – emitiu uma nota pública exigindo a retirada imediata da publicidade.
Confira a nota na íntegra:
“A União de negras e Negros Pela Igualdade -Juazeiro Bahia vem a público pedir a imediata retirada da publicidade visual da prefeitura na qual apresenta a imagem de um homem negro com a vassoura na mão e vestido de gari. Obviamente, nada que venha a desmerecer a profissão, mas o fato de reforçar a imagem estereotipada das pessoas negras sempre ligadas à função da limpeza, da subserviência e algo menor dentro da sociedade. A população negra historicamente marginalizada por todo o contexto da construção social do país foi relegada a esses espaços. O argumento de que existem outras imagens como essa nas quais estão pessoas brancas não se sustenta e reforça o senso comum de que somos todas/todos iguais na tentativa de anular as discriminações e história do racismo no Brasil. Não, não somos todas e todos iguais. A questão é o que está por trás da imagem, do símbolo e de como as pessoas vão ler aquela mensagem através da imagem. Obviamente que toda/todo publicitária/o leva em conta a semiótica, de modo que a mensagem que é passada é o que fala por si; no momento da produção dessa imagem, há de se fazer várias análises, dentre elas, a sociológica e a histórica, e é sobre isso que estamos falando. Cabe a quem está a frente ter o conhecimento necessário para que não reproduza o racismo nas publicidades da prefeitura e de propagandas outras. Lembremos que a imagem não está fora de um contexto e isso deve sempre ser considerado. A sociedade racista mostra todos os dias as desigualdades que acometem à população negra, inclusive ceifando suas vidas por meio da violência urbana, na saúde e nas variadas vulnerabilidades sociais. Os números mostram que não somos todas/todos iguais, exemplo: “Taxa de analfabetismo entre negros é mais que o dobro da registrada entre brancos. De acordo com o IBGE, o problema afeta 7,1% dos negros (pretos e pardos) e 3,2% dos brancos.”; “Dados do Atlas da violência 2024 indicam que quarenta e seis mil, quatrocentas e nove pessoas foram assassinadas no Brasil. Deste total, 76,5% eram pretas e pardas.”; O campo de informações acerca das desigualdades que acometem à população negra é vasto, cabe a cada cidadão e cidadã buscar se informar”.