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Redação 06 de Outubro, 2026
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MP-BA denuncia direção da Bamor por tortura, extorsão e organização criminosa em Salvador

Bahia
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Redação 06 de Outubro, 2026

Dez integrantes da torcida organizada foram denunciados após investigação da Operação Inquisição

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou dez integrantes da diretoria da torcida organizada Bamor pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. A denúncia foi protocolada na sexta-feira (2) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como resultado da Operação Inquisição.

Os denunciados permanecem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Entre eles estão o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro; o vice-presidente, Luciano da Silva Venâncio; além de integrantes que ocupavam cargos de direção na torcida organizada.

Também foi denunciado o policial militar Fernando Santana Esquivel, apontado pelo MP-BA como integrante da Bamor.

Segundo a acusação, os investigados fariam parte de uma estrutura considerada estável e organizada, com divisão de funções. O grupo teria utilizado a estrutura da torcida para promover uma espécie de punição privada contra duas pessoas, que seriam suspeitas de envolvimento em supostos desvios relacionados ao sistema de gestão de associados da entidade.

Vítimas teriam sido submetidas a sessões de violência

De acordo com o MP-BA, os crimes teriam ocorrido em julho deste ano, quando duas pessoas foram levadas à sede da Bamor, em Salvador, em dias consecutivos. Elas seriam pressionadas a confessar supostas irregularidades e, diante das negativas, teriam sido submetidas a agressões físicas e psicológicas.

Entre os métodos descritos na denúncia estão espancamentos, sufocamento, simulação de afogamento e uso de objetos como tacos de beisebol, martelo, faca e alicate.

Em um dos casos, a vítima teria sofrido perfurações nas mãos, queimadura na orelha, sufocamento com saco plástico e simulação de afogamento com pano e água. O MP-BA também aponta ameaças contra familiares.

No outro episódio, os investigadores apuram ainda o acesso ao celular da vítima e uma transferência financeira que teria sido realizada mediante coação.

Prisões e fechamento da sede

A Operação Inquisição cumpriu dez mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. Durante a ação, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, documentos, armas, munições, instrumentos que podem ter sido utilizados nas agressões e bens pertencentes às vítimas.

A sede da Bamor foi fechada por determinação judicial por ser apontada nas investigações como o local onde as agressões teriam ocorrido.

O MP-BA esclareceu que o fechamento do imóvel não significa que a Bamor, enquanto associação, seja alvo da investigação criminal. As medidas são direcionadas aos integrantes apontados como suspeitos.

MP pede indenização de R$ 2 milhões

Além da condenação dos denunciados pelos crimes atribuídos individualmente a cada um, o Ministério Público pediu a manutenção das prisões preventivas e o pagamento de indenização às vítimas por danos materiais e morais.

O órgão também requereu a fixação de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 2 milhões.

As investigações continuam com a análise do material apreendido e novas diligências para esclarecer a participação individual de cada denunciado.

Relembre o caso

A investigação teve início após a denúncia de agressões contra um homem de 45 anos, ocorridas em julho, dentro da sede de uma torcida organizada, no bairro de Nazaré, em Salvador.

Segundo o relato apresentado à época, a vítima teria sido acusada de participar de um suposto desvio de aproximadamente R$ 3 mil dos cofres da Bamor. O homem negou envolvimento e afirmou que havia desenvolvido um sistema para um integrante da torcida.

A Polícia Civil informou, na ocasião, que a 1ª Delegacia Territorial (DT/Barris) investigava as denúncias de agressão física e roubo. Guias para exames periciais foram emitidas, enquanto diligências e oitivas eram realizadas para esclarecer o caso.

Na época, a diretoria da Bamor comunicou a expulsão de Roberson Jesus, conhecido como “Binho”, do quadro de associados. Segundo a torcida, a decisão ocorreu após a identificação de supostas irregularidades relacionadas ao sistema de sócios.