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Redação 24 de Outubro, 2025
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Brasil registra 391 etnias e 295 línguas indígenas, aponta Censo 2022 do IBGE

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Redação 24 de Outubro, 2025

Levantamento revela crescimento expressivo na diversidade cultural indígena e mostra que maioria dessa população vive hoje em áreas urbanas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (24) os dados do Censo Demográfico 2022 – Etnias e Línguas Indígenas, que revelam um panorama inédito sobre a diversidade dos povos originários no país.

De acordo com o levantamento, o Brasil possui 391 etnias indígenas e 295 línguas faladas, números significativamente maiores que os registrados no Censo de 2010, quando foram identificadas 305 etnias e 274 idiomas.

Ao todo, 1.694.836 pessoas se declararam indígenas, distribuídas em 4.833 municípios — o que representa 0,83% da população nacional, estimada em 203 milhões. O número quase dobrou em 12 anos, com um aumento de 88,8%.

Mudança de perfil e distribuição urbana

Pela primeira vez, a maioria dos indígenas vive em áreas urbanas (53,97%), invertendo a tendência de 2010, quando 63,7% moravam em áreas rurais. As cidades com maior diversidade étnica são São Paulo (194 etnias), Manaus (186), Rio de Janeiro (176), Brasília (167) e Salvador (142).

O Amazonas continua como o estado com maior número de etnias em terras indígenas (95), seguido por Pará (88), Mato Grosso (79), Rondônia (69) e Roraima (62).

Etnias e línguas mais numerosas

Os Tikuna seguem como o povo indígena mais populoso do país, com 74.061 pessoas, seguidos pelos Kokama (64.327) e Makuxí (53.446).

No campo linguístico, o destaque é para o idioma Tikuna, falado por 51.978 pessoas, seguido por Guarani Kaiowá (38.658) e Guajajara (29.212). A língua Nheengatu é a mais utilizada em áreas urbanas, com mais de 13 mil falantes.

Resgate cultural e impacto migratório

Segundo o IBGE, o aumento no número de línguas está ligado tanto ao resgate cultural promovido pelos próprios povos indígenas quanto a movimentos migratórios recentes, como o de venezuelanos da etnia Warao, que trouxeram sua língua ao território brasileiro.

“Há um esforço ativo de comunidades indígenas para recuperar e fortalecer suas línguas. Esse processo, aliado à chegada de novos povos, ajuda a ampliar o mapa linguístico do país”, explicou Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais do IBGE.

Importância para políticas públicas

Os dados devem orientar políticas públicas voltadas à saúde, educação e preservação cultural. Para Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, o estudo permite um olhar mais individualizado:

“Agora podemos compreender melhor onde cada povo está e quais suas condições de vida, o que é essencial para formular políticas específicas.”