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Redação 27 de Julho, 2026
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Brasil vai na contramão do mundo e registra alta nos casos de HIV, aponta Unaids

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Redação 27 de Julho, 2026

Apesar dos avanços no combate ao HIV em nível mundial, o Brasil segue na contramão da tendência global. Enquanto o número de novas infecções caiu 42,9% no mundo desde 2010, o país registrou aumento de 21,9% no mesmo período, segundo dados apresentados nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), durante a Conferência Internacional da Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil contabilizou 39,2 mil novos casos de HIV em 2024. Atualmente, a estimativa é que quase 1,7 milhão de pessoas vivam com o vírus no país. O relatório coloca o Brasil entre os 21 países que tiveram crescimento superior a 20% nas novas infecções na última década.

No cenário global, foram registrados 1,2 milhão de novos casos de HIV em 2025, uma redução significativa em comparação aos 2,1 milhões contabilizados em 2010. Ainda assim, o Unaids alerta que o ritmo de queda não é suficiente para alcançar o objetivo da ONU de eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030. Para isso, o número anual de novos diagnósticos deveria estar em torno de 200 mil.

A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, destacou que já existem ferramentas científicas capazes de tornar essa meta possível. Segundo ela, o sucesso dependerá do fortalecimento das políticas públicas, da ampliação do acesso aos serviços de saúde e do enfrentamento às desigualdades, ao preconceito e à discriminação.

O levantamento também mostra que as mortes relacionadas à Aids diminuíram 57% desde 2010, chegando a 570 mil em 2025, o menor patamar registrado nos últimos 30 anos. Mesmo assim, o índice ainda permanece acima da meta estabelecida pelas Nações Unidas.

Entre os principais obstáculos apontados pelo relatório estão a redução de 18% no financiamento internacional destinado ao combate ao HIV em 2025, consequência dos cortes na ajuda externa dos Estados Unidos, além das dificuldades para ampliar o acesso a medicamentos de longa duração voltados à prevenção.

Por outro lado, o Brasil foi citado como exemplo por ter conquistado a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV e por ampliar a oferta da profilaxia pré-exposição (PrEP) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).