Brasileiro se voluntaria para guerra na Ucrânia e comunica decisão à família no aeroporto
O brasileiro Matheus Nunes, de 22 anos, decidiu se voluntariar para atuar na guerra da Ucrânia em novembro deste ano e surpreendeu os familiares ao avisar sobre a escolha apenas no aeroporto, pouco antes de embarcar. Ele retornou ao Brasil no dia 15 de dezembro e contou que, embora já comentasse sobre a intenção de viajar, a família não acreditava que a decisão seria levada adiante.
Em entrevista, Matheus relatou que o impacto foi grande quando os parentes perceberam que a ida ao conflito era definitiva. “Eu avisei quando já estava no aeroporto. Até então eu tinha comentado, mas acho que eles não acreditaram muito. Quando viram que eu estava indo de verdade, caiu a ficha. Foi um choque, mas depois não tinha mais o que fazer. Eles ficaram rezando para que tudo desse certo”, afirmou.
Reservista do Exército Brasileiro, o jovem serviu no 33º Batalhão de Infantaria Mecanizado, em Cascavel, no Paraná. Após deixar o serviço militar, passou a atuar como vigilante em empresas de segurança da cidade. Segundo ele, a decisão de participar do conflito foi tomada de forma consciente. “Não é vitimismo, nem busca por atenção ou sensacionalismo. A realidade é séria e precisa ser tratada com responsabilidade”, disse.
Alerta do Itamaraty
Em junho, o Ministério das Relações Exteriores emitiu um alerta sobre o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras. O Itamaraty informou que aumentou o número de brasileiros mortos em conflitos internacionais ou que enfrentam dificuldades legais para deixar as zonas de guerra. Por isso, a recomendação é recusar propostas militares no exterior, já que a assistência consular pode ser limitada em razão dos contratos firmados.
Outro caso
Outro brasileiro, Lucas Felype Vieira Bueno, de 20 anos, natural de Francisco Beltrão, no Paraná, usou as redes sociais para pedir ajuda para retornar ao Brasil após se alistar voluntariamente para lutar na Ucrânia. Segundo ele, a intenção inicial era atuar como operador de drones, mas acabou sendo designado para um batalhão de infantaria em Kharkiv, uma das regiões mais afetadas pelo conflito.
Em vídeos publicados, Lucas relatou frustração com a mudança de função e afirmou que foi encaminhado para atuar próximo à linha de frente. “Disseram que era treinamento, mas não acredito mais nisso. Estão colocando uma arma na minha mão e me levando para uma zona de guerra sem meu consentimento”, declarou.