Conta de energia pode registrar alta de até 8,4% nos próximos anos
A conta de energia elétrica dos brasileiros poderá ficar mais cara nos próximos anos após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologar o leilão de reserva de capacidade realizado pelo governo federal em março deste ano. A medida, aprovada nesta terça-feira (9), prevê a contratação de quase 20 GW de potência para reforçar o fornecimento de energia nos horários de maior demanda do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Segundo especialistas do setor, o custo da contratação será repassado aos consumidores por meio das tarifas de energia. Diferentemente dos leilões tradicionais, o modelo de reserva de capacidade remunera as usinas pela disponibilidade para operar quando necessário, mesmo que a energia não seja utilizada de forma contínua.
Estimativas da consultoria TR Soluções apontam que o custo fixo do leilão poderá alcançar R$ 48 bilhões por ano no início da próxima década. O impacto nas tarifas deve começar de forma gradual a partir de 2026, com aumento médio estimado em 0,4%.
A pressão maior sobre as contas de luz está prevista para ocorrer a partir de 2029, quando grande parte das usinas contratadas entrar em operação. Em 2032, quando toda a capacidade estiver disponível, a tarifa média de energia elétrica poderá registrar alta de 8,4% em todo o país.
Para os consumidores residenciais, classificados no grupo B1, a projeção é de aumento de 7,5% na tarifa final. Já os consumidores de média tensão, como empresas e comércios de médio porte, poderão enfrentar reajuste de 10,3%. No caso das grandes indústrias, enquadradas na categoria A2, a elevação estimada chega a 13,5%.
De acordo com o governo federal, a contratação é necessária para garantir a segurança energética do país e evitar riscos de desabastecimento nos períodos de pico de consumo. Por outro lado, representantes de consumidores e setores produtivos alertam para o impacto dos novos encargos sobre o orçamento das famílias e a competitividade da indústria brasileira.
Com a entrada em operação de todos os empreendimentos contratados, o chamado “seguro de potência” do sistema elétrico poderá atingir R$ 53 bilhões anuais em 2032, aproximando-se dos valores atualmente arrecadados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um dos principais encargos que já compõem a conta de luz dos brasileiros.