Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo expõe desafios e combate ao trabalho escravo no Brasil
O Brasil celebra nesta sexta-feira (17) o Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo, mas a data também expõe as contradições e desafios que ainda marcam a vida de quem produz os alimentos que chegam à mesa da população.
Apesar da mecanização crescente em diversas culturas agrícolas, a realidade rural continua marcada por desigualdades profundas. De um lado, fazendas modernas e trabalhadores qualificados; de outro, homens e mulheres em condições degradantes, sem acesso a direitos básicos.
“A discrepância é muito grande em relação ao que encontramos no campo”, afirma a auditora-fiscal do Trabalho Alessandra Bambirra, do Sinait.
O trabalho escravo segue como uma chaga persistente. Jornadas exaustivas, alojamentos precários e dívidas impostas por empregadores ainda aprisionam trabalhadores em diversas regiões. Minas Gerais, pioneira no combate a essas práticas, registrou em 2025 mais de 2 mil pessoas em situação irregular e resgatou dezenas em lavouras de café e carvoarias.
Para enfrentar esse cenário, especialistas defendem políticas públicas mais eficazes e a responsabilização das cadeias produtivas. A certificação não deve se limitar ao produto final, mas abranger todo o processo de produção, garantindo que marcas estejam livres de trabalho escravo, infantil ou de condições degradantes.
Apesar das dificuldades, o Brasil é reconhecido internacionalmente por iniciativas como a Previdência Rural, destacada pela OIT como referência regional. Ainda assim, a informalidade e a precarização mantêm os trabalhadores do campo como o elo mais frágil da cadeia produtiva.
A data reforça a necessidade de integração entre poder público, empresas e sociedade para que o campo deixe de ser sinônimo de invisibilidade e vulnerabilidade, e passe a ser espaço de dignidade e direitos.