Ex de ator global relata violência psicológica em campanha do MP-RJ e diz que poderia ter morrido em relacionamento abusivo
A modelo Mariana Goldfarb, ex-mulher do ator Cauã Reymond, revelou ter vivido um relacionamento abusivo ao participar de uma campanha do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pelo fim da violência contra as mulheres. No vídeo recém-divulgado, ela afirma que, se não tivesse conseguido romper o ciclo de agressões psicológicas, acredita que não estaria viva. Goldfarb não cita quando o caso ocorreu nem o nome do agressor, mas descreve episódios que classificou como violência emocional intensa.
Segundo relatou, os sinais de abuso começaram cedo, embora ela não soubesse identificá-los na época. “Não é amor. E acho que nunca foi amor. A gente acha que não vai acontecer com a gente, mas acontece. Consegui sair num momento que eu tinha só mais 5% de oxigênio. Ou usava aqueles 5% naquele momento, ou ali eu ia morrer. Percebi que estava num relacionamento abusivo, acho que desde muito cedo, mas não sabia nomear. A violência psicológica não deixa marca visível”, afirmou. A influenciadora destacou que somente após o término compreendeu a dimensão do ambiente opressor em que estava inserida e como isso afetou sua vida e sua saúde.
Ela explicou que os efeitos da violência psicológica se manifestaram fisicamente, provocando queda de cabelo, tremores nos olhos, falta de apetite e o desenvolvimento de anorexia. “Olhando para trás, consigo, sim, ver a violência psicológica se transformando no meu corpo em formas de queda de cabelo, olho tremendo, falta de apetite, doença como a anorexia. Essa tortura psicológica que aparece em forma do tratamento de silêncio, que é insuportável, tudo é para te desestabilizar e é tudo sobre controle.”
Mariana também relatou que o relacionamento a levou ao consumo excessivo de álcool e ao afastamento de amigos e familiares. Segundo ela, a dinâmica do abuso envolvia poder, dominação e controle constantes. “É tudo sobre poder, dominação e controle. Eu nunca sabia direito o que vira. Era sempre um pisar em ovos. Era sempre uma coisa muito extenuante fazer de tudo para que terminasse bem, e não vai terminar bem. Eu comecei a beber muito. A gente vai procurando subterfúgios também para anestesiar a dor. Não é simples você sair, existe uma coisa de dependência, o problema desse tipo de relação é que ela vai na sua identidade, na maneira como se enxerga no mundo, como é.”
A campanha do MP-RJ reforça a importância de reconhecer sinais de violência psicológica e buscar apoio especializado. A fala de Goldfarb integra a mobilização nacional pelo enfrentamento às agressões contra mulheres.