Governo anuncia medidas para conter alta do diesel e evitar paralisação de caminhoneiros
Pacote inclui fiscalização de preços, subsídios e reforço na tabela do frete diante da pressão da categoria
Sob pressão de caminhoneiros e diante do risco de uma paralisação nacional, o governo federal anunciou, nesta terça-feira (17), um pacote de medidas emergenciais para conter a alta do diesel e reforçar a fiscalização no setor de combustíveis. A iniciativa busca evitar uma nova crise de abastecimento no país, em meio ao aumento dos custos do transporte e à crescente insatisfação da categoria.
Entre as ações, está a articulação de uma força-tarefa envolvendo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procons estaduais e o Ministério da Justiça. A medida foi adotada após relatos de aumentos considerados abusivos no preço do diesel em diferentes regiões, mesmo após intervenções do governo para reduzir os custos.
Além disso, o pacote prevê mecanismos para amortecer o impacto da alta internacional do petróleo, incluindo subsídios e desonerações. O governo já havia reduzido tributos federais sobre o diesel, com a expectativa de queda no preço final ao consumidor. No entanto, parte desse efeito não foi repassada integralmente, o que ampliou a insatisfação entre os caminhoneiros.
Outro ponto de tensão envolve o valor do frete. Segundo relatos da categoria, os custos operacionais aumentaram, enquanto os contratos não acompanharam essa elevação. Diante desse cenário, o governo sinalizou que irá reforçar a fiscalização da tabela mínima de frete, com possibilidade de punição para empresas que descumprirem os valores estabelecidos.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, informou que novas medidas devem ser anunciadas para garantir maior equilíbrio no setor. O detalhamento está previsto para ocorrer em coletiva no Ministério dos Transportes, em Brasília, com a participação do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio.
A mobilização da categoria segue em andamento. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o caminhoneiro Wallace Landim, conhecido como “Chorão” e presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), afirmou que os profissionais permanecem em estado de alerta. Segundo ele, reuniões realizadas com lideranças do setor apontaram que o atual cenário inviabiliza a continuidade das atividades sem reajustes adequados.
A possibilidade de uma nova paralisação gera preocupação entre especialistas e consumidores, principalmente pelo histórico recente. Em 2018, uma greve nacional de caminhoneiros provocou desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos, além de impactos significativos na economia brasileira.
Caso uma nova paralisação se concretize, os efeitos podem ser sentidos rapidamente, com aumento no preço dos alimentos, dificuldades no abastecimento e atrasos na distribuição de produtos essenciais em todo o país.