O inquérito sobre o caso de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, encontrada morta em sua residência em maio deste ano, revela que a jovem sofria torturas cometidas por sua mãe, a empresária Cleusimar Cardoso. O documento traz novos depoimentos de familiares da vítima.
Conforme registros aos quais o G1 teve acesso, uma ex-empregada doméstica relatou que Cleusimar frequentemente agredia Djidja, incluindo puxões de cabelo e beliscões. “Djidja estava fraca, mal conseguia se defender e pedia para Cleusimar parar com as agressões”, afirmou a testemunha.
A empregada também relatou o uso frequente de drogas sintéticas e do anabolizante Potenay na casa de Djidja e de seu irmão Ademar, com a família utilizando um código específico para solicitar as substâncias. Em um vídeo anexado ao inquérito, Djidja aparece com um corte profundo no couro cabeludo, embora as imagens não esclareçam a causa do ferimento. A testemunha ainda mencionou que era comum que o casal pedisse analgésicos por telefone logo pela manhã. As drogas eram divididas em 20ml para Djidja, 20ml para Ademar e 10ml para Cleusimar.
Uma familiar relatou que tinha conhecimento do uso abusivo de drogas, mas era impedida de visitar Djidja, que estava constantemente sob efeito das substâncias. “Ela ficou muito dependente, não vivia mais sem. Tentamos ajudá-la, fizemos boletins de ocorrência, mas a mãe e os funcionários nos proibiam de entrar. Não podíamos fazer nada”, desabafou.
As investigações apontam que a família teria criado um grupo religioso que incentivava o uso indiscriminado de cetamina, uma droga de uso humano e veterinário. Cleusimar e Ademar Cardoso, mãe e irmão de Djidja, estão presos desde 30 de maio, suspeitos de tráfico de drogas, associação para o tráfico e estupro. Djidja foi encontrada morta em 28 de maio, possivelmente devido a uma overdose de cetamina.