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Redação 05 de Janeiro, 2026
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Jovem desaparece no Pico do Paraná após ser deixado para trás por amiga durante trilha

Brasil
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Redação 05 de Janeiro, 2026

Caso mobiliza bombeiros, montanhistas e voluntários em operação de buscas no ponto mais alto do Sul do país

Um jovem de 19 anos está desaparecido desde a madrugada do dia 1º de janeiro de 2026, após realizar uma trilha no Pico do Paraná, localizado no município de Antonina, no litoral do estado. Roberto Farias Thomaz foi visto pela última vez durante a descida da montanha, considerada a mais alta da Região Sul do Brasil, com 1.877 metros de altitude.

O jovem havia subido ao pico para acompanhar o primeiro nascer do sol de 2026, acompanhado da amiga Thayane Smith, também de 19 anos, natural de Manaus (AM). Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros do Paraná, com apoio de montanhistas especializados e voluntários, realizam buscas intensas na região.

Roberto e Thayane se conheceram recentemente, no Largo da Ordem, no Centro Histórico de Curitiba, e decidiram passar juntos a virada do ano. A cidade de Antonina fica a cerca de 80 quilômetros da capital paranaense.

Linha do tempo do desaparecimento

A dupla iniciou a trilha na noite do dia 31 de dezembro, subindo até o chamado acampamento 1, onde descansaram por algumas horas. Por volta das 3h da madrugada, seguiram em direção ao cume.

Durante a subida, outros trilheiros relataram que Roberto passou mal, apresentando fraqueza e episódios de vômito. Mesmo debilitado, ele conseguiu chegar ao topo por volta das 4h, após receber ajuda de integrantes do grupo, que lhe forneceram água e alimento.

Após o amanhecer, os grupos iniciaram a descida. Em um ponto anterior ao retorno ao acampamento 1, Roberto ficou para trás e não foi mais visto.

Um dos trilheiros que integrava o grupo, Fábio Sieg Martins, analista jurídico, relatou que a ausência de Roberto foi percebida ao chegar ao acampamento. Segundo ele, Thayane estava sozinha na barraca, o que causou estranhamento imediato.

“Quando chegamos no acampamento 1, a menina estava na barraca. Perguntei ‘cadê o Roberto?’ e ela não soube responder. Aí bateu o desespero”, afirmou Fábio em entrevista à imprensa.

Buscas e operação de resgate

 Fábio retornou pela trilha em busca do jovem e, ao encontrar sinal de celular, acionou o Corpo de Bombeiros. As buscas oficiais tiveram início ainda na tarde do dia 1º de janeiro.

A operação envolve:

  • Equipes em solo subindo e descendo trilhas

  • Sobrevoos com helicóptero equipado com câmera térmica

  • Uso de drones

  • Apoio do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo)

  • Participação do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM)

Para facilitar os trabalhos, o Instituto Água e Terra (IAT) determinou o fechamento temporário das trilhas dos morros Pico Paraná, Caratuva, Getúlio e Itapiroca.

A família mantém um perfil nas redes sociais para divulgar informações oficiais sobre o resgate: @resgaterobertopicoparana.

Versões e investigação

Em depoimentos à imprensa, Thayane Smith apresentou versões diferentes sobre o momento em que se separou de Roberto. Inicialmente, afirmou que o jovem havia passado mal. Depois, disse que ele seguia em ritmo lento e que decidiu continuar, acreditando que outros trilheiros vinham logo atrás.

Fábio afirmou que alertou a jovem sobre os riscos de deixar alguém sozinho em uma trilha de alto grau de dificuldade, especialmente diante do estado físico de Roberto.

A Polícia Civil informou que o caso é tratado, até o momento, como desaparecimento sem indícios de crime. Todos os envolvidos foram ouvidos como testemunhas.

“Caso fique caracterizado algum indício, o boletim poderá ser convertido em inquérito policial”, afirmou o delegado responsável pelo caso.

Trilha de alto risco

O Pico do Paraná é considerado uma trilha de alto grau de dificuldade, mesmo para montanhistas experientes. O percurso inclui:

  • Penhascos e paredões

  • Trechos com cordas e grampos fixados em rochas

  • Mudanças bruscas de clima

  • Neblina intensa

  • Falta de sinal de celular