Mãe de santo acusa vice-prefeita de Ribeira-SP de calote de R$ 380 mil em trabalho espiritual
Uma mãe de santo identificada como Samantha está acusando a vice-prefeita de Ribeira, cidade localizada no interior de São Paulo, de “dar o calote” de R$ 380 mil reais, valor cobrado para realizar um trabalho de amarração amorosa entre a vice-prefeita Juliana Maria Teixeira da Costa e o secretário de Saúde Lauro Olegário da Silva Filho, que é casado.
Samantha expôs o caso nas redes sociais, onde revelou que, desde o ano passado, tenta receber a quantia que cobrou e que a vice-prefeita se comprometeu a pagar. “Eu fui uma pessoa lesada, estou com o rombo de Juliana de 380 mil reais, por um casamento espiritual para o qual eu peguei materiais da África, benzidos pela mãe Jurema de Salvador, para realizar o trabalho para ela”, disse a mãe de santo em um vídeo publicado nas redes sociais.
Ainda de acordo com Samantha, Juliana parou de atender às suas tentativas de contato, mas três advogados entraram em contato prometendo que o valor seria pago, enviando quantias de dinheiro para que a mulher não revelasse a origem do montante. O próprio advogado ficou responsável por enviar R$ 50 mil à mãe de santo, “para que eu não mostrasse para o promotor de Apiaí todos os prints, todas as conversas, de onde vem [o dinheiro]. Eu não sei de onde eles tiram o dinheiro, eu só queria receber”.
Por conta do atraso no pagamento, a mãe de santo chegou a procurar o prefeito Ari do Carmo Santos (DEM) para cobrar o valor. “Eu tentei até conversar com o Ari, com o prefeito da cidade. Ele não quis nem saber da pessoa que é o braço direito dele em Ribeira. Eu expliquei, mandei mensagem o tempo todo, mas as pessoas que trabalham com o Ari me bloquearam para que as mensagens não chegassem até ele”, contou.
Indignada com a situação, a mãe de santo disse que não vai desistir de receber o seu dinheiro. “Eu vou até o fim. Vou depor para quem for, mas vocês vão pagar um por um por terem me enganado e me deixado no rombo”. Ela ainda deixou um recado direto para a vice-prefeita: “Juliana, eu vou atrás de você, nem que seja para entrar no inferno e te buscar, eu vou”.
Na última segunda-feira (4), Juliana e o servidor público de saúde Lauro Olegário foram afastados da prefeitura por suspeita de desvio de dinheiro e improbidade administrativa, já que o homem também teria lucrado com o esquema. A prefeitura também está sendo investigada.
A gestão de Ari do Carmo Santos é acusada de criar um “cabide de empregos” com contratações informais de aliados políticos e de empregar funcionários fantasmas, incluindo uma adolescente de 17 anos que nunca compareceu ao trabalho. Além disso, Ari teria revogado o resultado legítimo de um concurso público para nomear um secretário que não alcançou a nota mínima no certame.