Ministro da Fazenda nega crise no varejo após recuperação judicial das Casas Bahia
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que a recuperação judicial do Grupo Casas Bahia seja sinal de uma crise generalizada no varejo ou na economia brasileira. Em entrevista ao GloboNews Mais, ele reconheceu que os juros elevados pressionam empresas do setor, mas afirmou que o caso da varejista tem características próprias.
“Sem minimizar, acho que é uma questão, um problema da Casas Bahia”, afirmou Durigan.
O ministro lembrou que a empresa já havia passado por uma recuperação extrajudicial e que o próprio grupo reconheceu, no novo pedido, que o processo anterior não foi concluído com total êxito.
Segundo Durigan, uma análise de uma série histórica mais ampla mostra redução no número de falências e recuperações judiciais no país.
“Quando a gente compara a série histórica mais ampla, houve um decréscimo de falências e recuperações judiciais, e o varejo fica atrás, inclusive, de setores como a indústria”, declarou.
Para o ministro, embora outras empresas também enfrentem dificuldades, os casos não justificam a tese de uma crise generalizada.
“Há uma série de elementos que explicam, em grande medida, o que está acontecendo, mas que não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há”, disse.
Durigan reconheceu, porém, que o cenário de juros elevados afeta diretamente o varejo, um setor fortemente dependente de crédito.
“Quando você tem um cenário de juros apertado, é claro que você tem uma diminuição da atividade, que é muito dependente de crédito”, afirmou.
O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, após registrar prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. A companhia informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda durante o processo de reestruturação.
Ao falar sobre a política econômica, Durigan disse que o governo pretende continuar promovendo ajustes fiscais para colaborar com a redução dos juros.
“Nós vamos resolver as questões, dando transparência e com esse compromisso, dentro de um projeto muito claro de responsabilidade fiscal, fazer o que for necessário para diminuir a taxa de juros, que é, sim, uma questão para o país”, concluiu.