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Redação 21 de Junho, 2026
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Mulher presa por se passar por adolescente já enganou famílias e instituições em outros estados, aponta MP

Brasil
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Redação 21 de Junho, 2026

Investigada usava identidade falsa, relatava histórias de violência e conseguia acolhimento de famílias, igrejas e órgãos públicos

A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, em Santa Catarina, revelou um histórico de episódios semelhantes registrados em diferentes regiões do país. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, a mulher já teria se passado por uma adolescente para obter acolhimento de famílias, apoio de instituições religiosas e assistência de órgãos públicos.

De acordo com as investigações, Amanda utilizava a identidade falsa de Gabrielly da Silva Ferreira e afirmava ter entre 11 e 12 anos. Para conquistar a confiança das pessoas, ela relatava supostas histórias de abandono, maus-tratos e abusos, mobilizando redes de proteção à infância e adolescentes.

O primeiro caso citado pelo Ministério Público ocorreu em dezembro de 2020, em Caxias do Sul. Na ocasião, ela procurou serviços de assistência social alegando estar sozinha no estado. A situação gerou uma mobilização de órgãos de proteção, mas a suposta adolescente deixou a cidade pouco tempo depois.

Meses mais tarde, em julho de 2021, Amanda entrou em contato com um casal de pastores de São Leopoldo por meio das redes sociais. Sensibilizados com o relato de violência apresentado por ela, os religiosos decidiram acolhê-la em casa. Segundo a denúncia, a mulher permaneceu no local por mais de 40 dias.

Ainda conforme o Ministério Público, ao deixar a residência, Amanda teria levado R$ 726 e um documento pertencente a uma das moradoras, fato que resultou em uma das acusações presentes no processo.

Em outubro daquele mesmo ano, a investigada voltou a procurar ajuda, desta vez em Cachoeirinha. Novamente, conseguiu acolhimento após relatar supostos episódios de abuso sofridos durante a infância. Ela permaneceu cerca de 25 dias com outra família e chegou a receber acompanhamento de órgãos públicos especializados na proteção de crianças e adolescentes.

As suspeitas sobre a verdadeira identidade da mulher surgiram durante atendimentos realizados no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre. Profissionais da unidade desconfiaram da idade informada e identificaram semelhanças com um caso já descrito em um estudo científico.

Após exames e procedimentos de identificação, foi confirmado que a suposta adolescente era, na verdade, Amanda Maria Souza de Oliveira.

Segundo o Ministério Público, a investigada utiliza versões semelhantes da mesma história há mais de dez anos em diferentes estados brasileiros para conseguir abrigo e assistência. Ela chegou a permanecer presa por cerca de seis meses em razão dos fatos investigados no Rio Grande do Sul, mas o processo acabou suspenso após ela deixar o sistema prisional e não ser mais localizada.

Com a recente prisão em Santa Catarina, o órgão pediu a retomada da ação penal. A defesa informou que ainda analisa o caso e deverá se manifestar nos autos. Paralelamente, a Justiça catarinense determinou a abertura de um procedimento para avaliar a sanidade mental da suspeita.