‘Não podemos dar uma de Bambam contra Popó’, diz Moraes sobre proteção à democracia
Moraes é o relator da ação no STF que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez uma analogia envolvendo o ex-BBB Kleber Bambam e o lutador Acelino Freitas, o “Popó”, para afirmar a importância de manter a vigilância na defesa da democracia. Durante a abertura do ano letivo na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), Moraes destacou que o Brasil não pode “baixar a guarda” e deve fortalecer as instituições, incluindo a regulamentação das redes sociais.
Moraes fez referência ao rápido nocaute de Bambam por Popó, destacando que o país não pode permitir que sua defesa democrática seja tão breve quanto os 36 segundos do combate.
O ministro enfatizou a necessidade de estabelecer regras para as redes sociais, rejeitando o argumento de que isso atentaria contra a liberdade de expressão. “Discurso mentiroso que quer propagar discurso de ódio e lavagem cerebral que é feita em milhões de pessoas”, declarou Moraes durante seu discurso na faculdade.
Ele comparou as redes sociais ao mundo real, argumentando que devem seguir uma legislação definida, e alertou para a importância de permanecer atentos e fortalecer a democracia.
Moraes, que é o relator da ação no STF que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, também abordou questões relacionadas aos ataques ao Judiciário e à imprensa. Ele mencionou a existência de um “manual do ditador” que prevê esses ataques e destacou a importância de preservar a independência das instituições responsáveis por garantir o Estado democrático de Direito.
O ministro está envolvido em outros dois casos no STF que investigam aliados do ex-presidente, incluindo o inquérito das fake news e a Lesa Pátria, que investiga os eventos de 8 de janeiro. Moraes ressaltou que, em diversos países, extremistas, ao alcançarem o poder, atacam os pilares da democracia, incluindo a imprensa livre e a credibilidade do sistema eleitoral. Ele alertou para a necessidade de aprendizado com essas experiências e evitar a repetição desses padrões no Brasil.