Novo exame de sangue pode identificar Alzheimer ainda em fase inicial
Um teste sanguíneo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Complutense de Madrid surge como uma possível ferramenta revolucionária na identificação precoce do Alzheimer. O método apresentou taxa de acerto de 94,5% e teve os resultados divulgados na revista científica Journal of Neurology.
De acordo com o estudo, o exame é capaz de identificar no sangue a proteína p-tau217, considerada um dos principais indicadores biológicos das alterações cerebrais provocadas pela doença. A detecção desse marcador permite reconhecer o Alzheimer ainda em fases iniciais, antes que os sintomas mais evidentes, como a perda de memória, se manifestem.
O teste funciona a partir da análise de biomarcadores sanguíneos que sinalizam mudanças neurológicas associadas ao acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro — processo que leva à degeneração dos neurônios e ao comprometimento progressivo das funções cognitivas.
A proposta dos pesquisadores é oferecer uma alternativa mais simples e acessível ao diagnóstico, diminuindo a dependência de procedimentos considerados invasivos ou de alto custo, como a punção lombar e exames avançados de neuroimagem.
Especialistas avaliam que a nova tecnologia pode agilizar a investigação clínica em pessoas com suspeita da doença, ampliando as chances de acompanhamento médico e intervenção terapêutica em estágios iniciais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Alzheimer é responsável por aproximadamente dois terços dos casos de demência no mundo. A tendência é de crescimento no número de diagnósticos nas próximas décadas, impulsionada pelo envelhecimento da população global.
A pesquisa foi conduzida na Espanha com cerca de 200 voluntários acima dos 50 anos e integra o estudo intitulado Plasma Phosphorylated Tau 217 to Identify Preclinical Alzheimer Disease. A análise apontou que o exame contribuiu para a definição diagnóstica em cerca de um a cada quatro participantes avaliados.
Os autores ressaltam que a detecção precoce ainda representa um dos maiores desafios no enfrentamento do Alzheimer, já que o diagnóstico tardio costuma retardar o início do tratamento e o acompanhamento especializado.