“O varejo nacional está na UTI e o destino é a morte”, dispara Luciano Hang
Fundador da Havan aponta concorrência desleal com plataformas estrangeiras e enxurrada de recuperações judiciais como ameaça fatal para o comércio e a indústria brasileira
O empresário Luciano Hang, fundador da Havan, fez um alerta sobre o futuro do comércio nacional. Segundo ele, o setor enfrenta um cenário crítico, marcado por um volume recorde de recuperações judiciais e pela forte concorrência com produtos importados da China, o que estaria empurrando empresas e fábricas brasileiras para o colapso. As informações foram divulgadas Exame.
Na entrevista, Hang direcionou parte das críticas ao tratamento tributário dado às compras internacionais de baixo valor. Enquanto o empresário afirma que produtos importados pela rede pagam de 80% a 120% em tributos, as plataformas asiáticas operam com vantagens que desequilibram o mercado. Para ele, o resultado é a destruição da cadeia produtiva local e a exportação de postos de trabalho para o exterior.
Na contramão da crise generalizada do setor, que registrou quase mil pedidos de recuperação judicial em 2025 conforme dados da Serasa Experian, a Havan anunciou resultados sólidos. A rede fechou o ano passado com faturamento de R$ 18,5 bilhões, lucro recorde de R$ 3,4 bilhões e caixa robusto, operando sem dívidas bancárias graças a uma estratégia de contenção iniciada há uma década.
Apesar do bom momento da sua própria marca, Hang demonstra preocupação com o efeito dominó gerado pela derrocada de gigantes do setor, como Casas Bahia, Americanas e Marabraz. Segundo o empresário, a quebra dessas redes desmonta toda a cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, atingindo severamente a indústria têxtil nacional e ameaçando a sobrevivência de centenas de pequenos e médios negócios nos próximos meses.