Perícia aponta que suspeito de matar Vitória monitorava adolescente desde o ano passado
Uma análise realizada pela polícia de São Paulo no celular de Maicol Antonio Sales dos Santos, preso sob suspeita de envolvimento na morte da adolescente Vitória Sousa, revelou que ele acompanhava a jovem desde 2023. A informação foi divulgada em reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (16).
Vitória desapareceu em 26 de fevereiro, em Cajamar, na Grande São Paulo. O corpo foi encontrado no dia 5 de março. Maicol é, até o momento, o único suspeito detido. Vestígios de sangue foram identificados no porta-malas do Toyota Corolla que ele utilizava. As amostras serão analisadas para verificar se pertencem à vítima, com resultados previstos entre 30 e 40 dias.
A defesa de Maicol não foi localizada para comentar o caso neste domingo. Anteriormente, os advogados afirmaram que aguardavam acesso integral ao processo para se manifestar.
De acordo com a TV Globo, Maicol teria visualizado uma publicação de Vitória minutos antes de ela descer do ônibus, quando voltava para casa. No celular do suspeito, peritos encontraram imagens armazenadas da adolescente desde o ano passado, além de fotos de mulheres com características semelhantes e registros de facas e um revólver. A polícia apura se ele desenvolveu uma obsessão por Vitória.
Morador do mesmo bairro da jovem, Maicol teria agido como um perseguidor. Segundo os investigadores, ao perceber que era alvo das apurações, ele apagou imagens de seu aparelho. No entanto, os arquivos foram recuperados com tecnologia especializada. Análises indicam que o celular esteve ativo durante toda a madrugada de 27 de fevereiro, data do desaparecimento da vítima.
Avanço das investigações
Outros elementos reforçam a suspeita sobre Maicol. A esposa dele negou que ele estivesse em casa na noite do crime. A localização do celular também o coloca nas proximidades de Vitória. Testemunhas relataram ruídos e movimentação incomum em sua residência, e algumas disseram ter sido ameaçadas.
Manchas de sangue foram encontradas na casa do suspeito, levantando a hipótese de que o local possa ter servido de cativeiro. Dos três veículos apreendidos ao longo das investigações (um Corolla, um Corsa branco e um Yaris prata), apenas no Corolla havia sangue.
A polícia solicitou a prisão de três suspeitos, mas apenas a de Maicol foi autorizada pela Justiça.
Próximo ao local onde o corpo foi encontrado, investigadores recolheram uma pá e uma enxada com vestígios genéticos. O padrasto de Maicol, dono das ferramentas, afirmou que elas haviam sumido cerca de 15 dias antes do crime e suspeitava que tivessem sido furtadas por um ex-funcionário.
Os últimos momentos de Vitória
Vitória trabalhava como caixa em um restaurante de shopping e saiu do expediente às 23h de 26 de fevereiro. Para chegar em casa, utilizava dois ônibus. No primeiro trajeto, uma amiga relatou que ela parecia inquieta. No segundo ponto de ônibus, a jovem teria notado a presença de dois homens e, preocupada, enviou uma mensagem a uma amiga.
Ela também tentou contato com o ex-namorado, pedindo uma carona sob a justificativa de que o carro do pai estava quebrado, mas não obteve resposta.
De acordo com as investigações, um dos homens embarcou no ônibus com Vitória, mas permaneceu no coletivo após a descida da jovem. No trajeto até sua casa, testemunhas afirmam que ela foi seguida por dois indivíduos em um Toyota Yaris.
Por volta do mesmo horário, um Corolla também foi visto na região.
O corpo de Vitória foi localizado em uma área de mata, sem roupas, com o cabelo raspado e sinais de violência. As mãos estavam amarradas e envolvidas em um material plástico, possivelmente para evitar que houvesse vestígios genéticos dos agressores sob as unhas da vítima. A investigação segue em andamento.