Relatório da Human Rights Watch cobra “revisão urgente” da segurança pública no Brasil
Documento de 2026 alerta para avanço do crime organizado e infiltração de facções no Estado
O relatório mundial de 2026 da ONG internacional Human Rights Watch (HRW) apontou que o Brasil precisa redirecionar suas políticas de segurança pública para enfrentar o crime organizado e conter a infiltração de facções criminosas em estruturas do Estado. O documento foi divulgado nesta quarta-feira (4) e analisa a situação dos direitos humanos em mais de cem países.
No trecho dedicado ao Brasil, a organização afirma que o modelo atual de segurança demanda uma “reformulação profunda”, com foco no combate estruturado às organizações criminosas. Entre as recomendações, a HRW defende o uso de ciência e dados para desmantelar facções, além da adoção de estratégias que priorizem investigação policial em vez de ações meramente repressivas.
A ONG também destaca a necessidade de “proteger simultaneamente os direitos da população e dos policiais”, apontando que políticas eficazes devem equilibrar segurança pública e garantias fundamentais. Outra orientação é o fortalecimento da coordenação entre órgãos federais e estaduais no combate ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro e à identificação das fontes de financiamento do crime organizado.
Além do cenário brasileiro, o relatório chama atenção para um “avanço autoritário” em escala global. Segundo a Human Rights Watch, cerca de 72% da população mundial vive atualmente sob regimes autoritários, tendência associada, em parte, ao novo mandato do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao enfraquecimento de instituições democráticas em diversos países.
O estudo classifica aproximadamente 200 países em cinco categorias: autocracia fechada, autocracia eleitoral, autocracia em zona cinzenta, democracia em zona cinzenta, democracia eleitoral e democracia liberal, apontando um recuo geral das democracias plenas no cenário internacional.