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Redação 08 de Setembro, 2026
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Sete em cada 10 alunos brasileiros de 15 anos não atingem nível básico em matemática

Brasil
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Redação 08 de Setembro, 2026

Sete em cada dez estudantes brasileiros de 15 anos não conseguem resolver questões básicas de matemática. É o que aponta a edição de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), cujos resultados foram divulgados nesta terça-feira (8).

De acordo com o levantamento, 72% dos alunos brasileiros ficaram abaixo do nível 2, considerado o patamar mínimo de conhecimento esperado pela avaliação. O percentual está muito acima da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que foi de 35%.

Entre as tarefas que estudantes abaixo desse nível têm dificuldade para realizar estão cálculos simples do cotidiano, como converter valores entre moedas ou comparar distâncias percorridas por diferentes trajetos.

Brasil fica quase 100 pontos abaixo da média da OCDE

Na avaliação de matemática, os estudantes brasileiros alcançaram média de 377 pontos, enquanto a média dos países da OCDE ficou em 465 pontos.

O desempenho coloca o Brasil próximo de países como Argentina e Jordânia e abaixo da maioria das nações participantes da avaliação.

O Pisa é realizado a cada três anos e avalia estudantes de 15 anos em áreas como matemática, leitura e ciências. A edição de 2025 também trouxe uma novidade: uma avaliação de resolução de problemas computacionais, que mede a capacidade dos alunos de utilizar lógica e conceitos de programação para solucionar situações.

Quase metade está na faixa mais baixa

O levantamento também revela a concentração de estudantes brasileiros nas faixas inferiores da escala de desempenho.

Cerca de 44% dos alunos estão abaixo do nível 1a, considerado o patamar de desempenho muito baixo. Outros 28% estão no nível 1a.

Na prática, isso significa que a maior parte dos estudantes que não alcança o nível básico apresenta uma distância significativa em relação às habilidades consideradas necessárias.

No outro extremo da escala, praticamente nenhum aluno brasileiro alcançou os níveis 5 ou 6, que representam os desempenhos mais elevados. Entre os países da OCDE, aproximadamente 8% dos estudantes chegam a essa faixa.

Alunos classificados nos níveis mais altos conseguem, por exemplo, trabalhar com situações matemáticas complexas e avaliar diferentes estratégias para solucionar um mesmo problema.

Formação de professores é apontada como um dos desafios

Para Ernesto Martins, pesquisador do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), o baixo desempenho em matemática é um problema que atinge outros países da América do Sul.

Segundo ele, uma das dificuldades brasileiras está relacionada à formação dos professores da área.

Martins afirma que muitos cursos de formação recebem estudantes que chegam à graduação com dificuldades em conhecimentos básicos de matemática. Essas lacunas nem sempre são totalmente corrigidas durante a formação acadêmica.

Para o pesquisador, isso pode fazer com que o ensino fique mais concentrado na repetição de fórmulas e procedimentos, em vez de estimular o desenvolvimento do raciocínio matemático.

Outro problema apontado é o efeito acumulativo das dificuldades. Como os conteúdos matemáticos dependem fortemente de conhecimentos anteriores, alunos que não consolidam conceitos como números, operações, frações e proporcionalidade podem chegar aos anos finais do ensino fundamental com dificuldades para compreender conteúdos mais avançados.