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Redação 27 de Maio, 2025
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Arqueólogos confirmam localização de ‘cemitério de escravizados’ no Centro de Salvador

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Redação 27 de Maio, 2025

O material está em processo de conservação e não teve imagens divulgadas

Arqueólogos confirmaram a localização das primeiras ossadas humanas de pessoas escravizadas no antigo Cemitério do Campo da Pólvora, no Centro de Salvador. A descoberta, apresentada nesta segunda-feira (26) ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), é considerada um marco para os estudos sobre a escravidão e o apagamento histórico de populações marginalizadas no Brasil.

As escavações foram realizadas em setembro de 2024 no estacionamento do Complexo da Pupileira, área suspeita de abrigar o maior cemitério de pessoas escravizadas da América Latina. Em duas sondagens arqueológicas, com profundidade de até 2,5 metros, foram encontrados fragmentos de ossos e dentes humanos. O material, em estado frágil devido à acidez do solo, está em processo de conservação e não teve imagens divulgadas.

O projeto, intitulado Levantamento Arqueológico na Área do Antigo Cemitério do Campo da Pólvora, foi conduzido pela empresa Cotias e Dias LTDA, com base na pesquisa documental da arquiteta e urbanista Silvana Olivieri, doutoranda em Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A pesquisadora localizou o sítio ao cruzar mapas históricos com imagens de satélite, identificando o ponto exato próximo à entrada da Pupileira.

Desativado em 1844, o Cemitério do Campo da Pólvora foi o primeiro cemitério público da capital baiana e funcionou por cerca de 150 anos. Inicialmente administrado pela Câmara Municipal e, depois, pela Santa Casa de Misericórdia da Bahia, o espaço era utilizado para enterrar pobres, indígenas, escravizados não batizados, criminosos, suicidas e outras pessoas socialmente marginalizadas.

“Segundo o historiador João José Reis, várias posturas do século XVIII indicam que o cemitério servia para o sepultamento de ‘negros pagãos’, frequentemente abandonados em locais públicos. A preocupação da Câmara era evitar ‘corrupção dos ares’ ou que ‘cães despedaçassem os corpos como se tem achado várias vezes’”, relatou Silvana em dossiê.