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Redação 30 de Outubro, 2025
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Arte originária da Chapada Diamantina ocupa Salvador com exposição de Juvenal Payayá e Artur Soar

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Redação 30 de Outubro, 2025

A ancestralidade, o território e a resistência ganham forma na mostra “Olhares de um povo que re-existe em nós”, que chega a Salvador nesta quarta-feira (29). A exposição reúne obras do artista visual Artur Soar e os Rabiscuitos do cacique Juvenal Payayá, ambos nascidos na Chapada Diamantina. O trabalho conjunto celebra a arte originária e sua força simbólica, espiritual e política.

Em cartaz no Restaurante Recôncavo, na Barra, até o dia 23 de dezembro, a exposição tem visitação gratuita, das 11h às 21h.

A curadoria, assinada por Marjorie Nolasko, coordenadora do Campus Avançado da Chapada Diamantina da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), destaca o encontro entre dois modos de criação distintos, mas complementares. “A grandeza do artista que divide o espaço com o ‘rabiscador’ — como se define Juvenal Payayá — está na humildade de quem cria com propósito. Ambos afirmam: estamos aqui! E estamos rebrotando, nos reorganizando, retornando e retomando”, afirma Nolasko.

Dois caminhos que se cruzam pela arte

Artur Soar, nascido em Salvador e criado em Lençóis, é bacharel e mestre em Artes Visuais pela UFBA. Reconhecido por seu trabalho com a ardósia da Chapada Diamantina como matriz de gravura, o artista também é músico, compositor e cordelista. Entre suas premiações, destaca-se a série Pretos, vencedora do 64º Salão de Artes Visuais da Bahia (2022), com destaque para a homenagem ao compositor Matheus Aleluia.

Já o cacique Juvenal Payayá, líder espiritual e escritor, traz à mostra sua visão de mundo expressa em “rabiscos” e palavras. Autor de livros como Rabiscuitos e Retorno para a Caverna, o artista denuncia o avanço predatório sobre as florestas e a desconexão humana com a natureza. Para ele, a terra é um ser vivo que preserva e sustenta outras vidas — e sua arte é uma forma de resistência e reeducação espiritual.

Payayá ambienta suas obras às margens do Rio Paraguasu — grafado com “s” como afirmação da língua originária Tupy —, reafirmando a luta contra o colonialismo linguístico e cultural.

Serviço

O que: Exposição Olhares de um povo que re-existe em nós, de Artur Soar e Cacique Juvenal Payayá

Onde: Restaurante Recôncavo – Rua Professor Fernando Luz, nº 63 – Barra, Salvador (BA)

Quando: De 29 de outubro a 23 de dezembro de 2025

Visitação: Gratuita, das 11h às 21h

Informações: (71) 3512-7326