Internet pode ajudar na prevenção ao suicídio, mas também oferece riscos à saúde mental
O uso da tecnologia ganhou espaço nas estratégias de cuidado com a saúde mental, principalmente por facilitar o contato com informações, profissionais e serviços de apoio. Nesta quinta-feira (10), data marcada pelo Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o debate sobre prevenção e valorização da vida também chama atenção para a forma como as pessoas utilizam o ambiente digital.
Redes sociais, plataformas de atendimento e outros serviços disponíveis pela internet podem ajudar quem enfrenta dificuldades emocionais a encontrar orientação e acolhimento. Em muitos casos, a possibilidade de conversar remotamente com um profissional ou serviço especializado reduz obstáculos relacionados à distância, tempo e acesso.
As consultas virtuais e terapias realizadas de forma on-line também podem representar uma porta de entrada para o cuidado. Depois de conseguir falar sobre o que está enfrentando, a pessoa pode ser encaminhada ou estimulada a buscar um acompanhamento especializado de forma contínua.
Atenção ao conteúdo consumido
Apesar dos benefícios, a internet não é um ambiente livre de problemas. A exposição constante a conteúdos prejudiciais, notícias falsas, ataques virtuais e situações de ciberbullying pode provocar impactos negativos no bem-estar emocional.
Outro problema aparece em redes sociais e comunidades de jogos, onde usuários podem ser alvo de provocações, ofensas e comentários feitos com o objetivo de gerar conflitos. Esse tipo de experiência, quando recorrente, pode contribuir para sentimentos de ansiedade, estresse, tristeza e isolamento.
Por isso, especialistas e instituições de saúde reforçam a importância de utilizar os recursos digitais com responsabilidade e de evitar conteúdos que possam intensificar situações de sofrimento.
Ferramentas podem ajudar na proteção
As próprias plataformas digitais disponibilizam mecanismos que podem ser utilizados para diminuir esses riscos. Recursos como bloqueio, denúncia e filtros de conteúdo permitem limitar o contato com determinados usuários ou publicações e ajudam na identificação de comportamentos abusivos.
Outra recomendação é ter cuidado com informações relacionadas à saúde mental. Antes de compartilhar ou seguir uma orientação encontrada na internet, é importante conferir a origem do conteúdo e priorizar materiais produzidos por órgãos públicos, instituições reconhecidas e profissionais habilitados.
Também é recomendável estabelecer horários e limites para o uso de redes sociais, jogos e outras plataformas. A redução do tempo de exposição pode contribuir para uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
Serviços de apoio estão disponíveis
Para quem precisa conversar durante um momento de sofrimento emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito. A instituição disponibiliza canais digitais, incluindo o chat, no qual o usuário pode conversar com um voluntário capacitado para realizar uma escuta acolhedora, com respeito, anonimato e sigilo.
Informações sobre prevenção e saúde mental também podem ser consultadas em canais oficiais do Ministério da Saúde. Entre os conteúdos disponíveis estão orientações sobre situações que podem exigir atenção, incluindo isolamento social, alterações significativas de comportamento e manifestações relacionadas à morte ou ao suicídio.
Além dos serviços especializados, manter uma rede de apoio pode ser fundamental. Amigos, familiares e pessoas de confiança podem ajudar a identificar mudanças de comportamento e oferecer suporte em períodos de maior fragilidade emocional.
A internet pode aproximar quem precisa de ajuda dos recursos disponíveis, mas o ambiente virtual não substitui o acompanhamento de profissionais de saúde. Diante de sofrimento intenso ou de uma situação de risco, a orientação é procurar atendimento especializado o quanto antes e buscar os serviços de emergência quando houver perigo imediato.