Pintor atropelado em condomínio de luxo de Guarajuba pede indenização milionária, mas Justiça corta valor
Um pintor que ficou gravemente ferido após ser atingido por um carro dentro de um condomínio residencial em Guarajuba, litoral de Camaçari, passará a receber pagamento mensal por determinação judicial. A medida foi adotada enquanto o processo que discute as responsabilidades pelo acidente segue em andamento.
O episódio aconteceu no primeiro dia de 2026, quando o trabalhador exercia sua função no Condomínio Paraíso. Ele foi atingido por um BMW 320i conduzido por um adolescente que ainda não havia completado 18 anos. O automóvel pertence à mãe do jovem. Em razão da menoridade do condutor, a Justiça atribuiu aos pais a responsabilidade civil provisória pelos danos causados.
A decisão foi proferida no dia 10 pela juíza Marina Rodamilans de Paiva Lopes da Silva, da Comarca de Camaçari. Ao analisar os documentos apresentados, a magistrada concluiu que há indícios suficientes de que o acidente gerou incapacidade temporária para o trabalho, o que justificaria a concessão de um auxílio financeiro imediato.
Segundo a decisão, imagens, registros policiais e relatórios médicos indicam que o pintor foi atingido enquanto trabalhava e que as lesões decorrentes do impacto o impedem, ao menos por ora, de exercer atividade profissional. A juíza destacou que a ausência de renda compromete a sobrevivência do trabalhador e de sua família, já que se trata de atividade essencialmente braçal.
Embora o autor da ação tenha solicitado o pagamento mensal de três salários mínimos, a Justiça entendeu que não houve comprovação suficiente da renda alegada antes do acidente. Por esse motivo, o valor foi fixado em um salário mínimo mensal, quantia considerada adequada para garantir o mínimo necessário à subsistência durante o período de recuperação.
A determinação judicial estabelece que os pais do adolescente façam um depósito antecipado correspondente a seis meses de pagamento. O descumprimento da ordem pode resultar em multa diária, limitada a R$ 100 mil. A liberação dos valores, mês a mês, dependerá da apresentação de laudos médicos que confirmem a continuidade da incapacidade laboral.
A medida tem caráter temporário e não representa decisão final sobre o caso. Ainda serão analisados os pedidos de indenização por danos morais, materiais e eventual pensão definitiva. Os responsáveis legais pelo adolescente foram citados e terão prazo para apresentar defesa.
O atropelamento resultou em ferimentos considerados graves. A vítima precisou passar por cirurgia no baço, sofreu fraturas e ficou internada por vários dias, inclusive em estado crítico. Após receber alta hospitalar em meados de janeiro, o pintor segue afastado do trabalho. Exames apontam lesão interna que pode evoluir para invalidez parcial permanente.
O processo continua em tramitação na Justiça de Camaçari, sem data definida para julgamento final.