Retirada de escadas no Salvador Shopping dificulta acesso de pessoas neurodivergentes, aponta advogado
A recente retirada das escadas convencionais de vidro do Salvador Shopping gerou repercussão nas redes sociais e levantou questões sobre acessibilidade e inclusão de pessoas neurodivergentes. O advogado Leonardo Martinez, especialista em direito da saúde e pai de um jovem autista de 20 anos, comentou sobre o impacto da mudança.
Martinez explica que muitas pessoas com autismo enfrentam dificuldades específicas ao usar escadas rolantes ou elevadores:
“É frequente que pessoas com autismo, por exemplo, tenham resistência ao uso de escadas rolantes, pois elas estão em constante movimento, e também dificuldades sensoriais em entrar em elevadores, pois o movimento de abertura e fechamento das portas causa desconforto, o que inviabiliza a utilização desses equipamentos. Por isso, as escadas convencionais são o meio mais eficiente de locomoção.”
O advogado também questionou quais medidas o shopping pensou para promover inclusão após a retirada do equipamento.
“Esse shopping faz atualmente um movimento pensado para pessoas com autismo, que é o momento silencioso, em que o shopping separa uma hora do seu funcionamento para ter menos ruídos. Essa é uma medida muito eficaz, mas eu gostaria de saber qual alternativa foi pensada para atender as pessoas com autismo que porventura tenham restrições de uso de escada rolante e elevadores.”
Em nota, o Salvador Shopping explicou que a escada foi retirada porque, após a instalação da escada rolante no mesmo espaço, o acesso convencional passou a ser pouco utilizado. A administração acrescentou que a mudança favorece maior circulação durante eventos no local.
A estrutura, conhecida pelo design desde a inauguração, já gerava receio em alguns frequentadores. A retirada foi registrada em vídeo pelo arquiteto Telmo Menezes e dividiu opiniões nas redes sociais.