Tragédias antes do Ba-Vi fazem autoridades adiarem teste de torcida mista
Projeto que previa uma partida experimental com torcedores de Bahia e Vitória no mesmo estádio perdeu força após confrontos que deixaram duas pessoas mortas antes do clássico de agosto.
O sonho de voltar a ver Bahia e Vitória dividindo o mesmo estádio com suas respectivas torcidas terá de esperar. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) vinha analisando a possibilidade de realizar, em 2027, um jogo experimental para avaliar o retorno da torcida mista ao Ba-Vi, mas os recentes episódios de violência colocaram a iniciativa em segundo plano.
O último clássico, realizado no dia 23 de agosto, no Barradão, em Salvador, foi antecedido por confrontos entre integrantes de torcidas organizadas. As ocorrências terminaram com duas mortes e provocaram uma mudança na avaliação das autoridades sobre a segurança dos grandes jogos.
A promotora de Justiça Thelma Leal explicou que o MP-BA já trabalhava em um procedimento destinado a estabelecer diferentes níveis de risco para as partidas. A partir dessa classificação, seria possível avaliar quais confrontos poderiam receber um teste com as duas torcidas.
Após os acontecimentos de agosto, entretanto, a possibilidade de colocar o projeto em prática ficou bastante comprometida.
BAHIA E VITÓRIA TERÃO ORGANIZADAS SUSPENSAS
Como parte das medidas adotadas após os episódios de violência, Bamor e Torcida Uniformizada Imbatíveis (TUI), ligadas respectivamente a Bahia e Vitória, foram suspensas por seis meses.
A determinação passou a valer nesta quinta-feira (3). Durante o período, as entidades não poderão atuar oficialmente nos eventos esportivos dos clubes nem utilizar elementos que representem sua presença organizada.
Faixas, bandeiras, cartazes, instrumentos musicais e roupas ou outros objetos capazes de identificar as torcidas estão entre os itens que ficam proibidos durante a suspensão.
A decisão não equivale, porém, a uma proibição geral para todos os torcedores que tenham algum vínculo com as organizadas. As restrições pessoais continuam direcionadas aos indivíduos que tenham sido identificados em episódios de violência e estejam sujeitos a medidas específicas.
DECISÃO FOI TOMADA APÓS ANÁLISE DE CASOS
A promotora também explicou por que a punição não entrou em vigor imediatamente depois dos confrontos.
Segundo Thelma Leal, o MP-BA utilizou o período para reunir informações sobre ocorrências envolvendo torcidas organizadas desde janeiro e avaliar, junto à Polícia Militar, qual resposta seria mais adequada.
A data escolhida para iniciar a suspensão também levou em consideração o calendário dos dois clubes. A intenção foi evitar que a medida atingisse Bahia e Vitória de maneira desigual.
PUNIÇÃO INDIVIDUAL CONTINUA
Antes mesmo da suspensão das entidades, torcedores apontados como envolvidos em crimes ou atos de violência já estavam sujeitos a medidas individuais, incluindo restrições de acesso aos estádios.
De acordo com a promotora, o problema está justamente na identificação de todos os participantes dos confrontos. Por isso, o MP-BA entendeu que uma punição direcionada às próprias organizações poderia ter um efeito mais amplo neste momento.
Com o agravamento dos episódios envolvendo torcidas organizadas, o projeto que poderia testar a presença simultânea de Bahia e Vitória no mesmo estádio em 2027 perdeu espaço dentro das discussões de segurança.
Por enquanto, a prioridade das autoridades é tentar conter a violência e avaliar as condições necessárias para que os grandes clássicos do futebol baiano possam ocorrer com maior segurança.