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Georges Humbert 30 de Setembro, 2024
Foto - Georges Humbert

Brasil em chamas é culpa das Mudanças Climáticas?

Sustentabilidade e meio ambiente
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Georges Humbert 30 de Setembro, 2024

Nos últimos dias pululam no noticiário que o Brasil bateu o recorde negativo de 2010 em incêndios, colocando em risco biomas especialmente protegidos da Amazônia e do Pantanal. Logo, autoridades, que passaram a culpar, sem base científica e de dados mudanças climáticas e o aquecimento global. Afinal, as mudanças climáticas são a nova e a grande ameaça para graves incêndios?

Para responder a essas importantes questões é preciso esclarecer algumas premissas. A primeira é que o termo mudança do clima, mudança climática ou alteração climática refere-se à variação do clima em escala global ou dos climas regionais da Terra ao longo do tempo, afetando temperatura, chuvas, níveis das águas, especialmente o mar, derretimento de calotas nos polos, nebulosidade e outros fenômenos climáticos em relação às médias históricas. Portanto, entende-se que a mudança climática pode ser tanto um efeito de processos naturais ou decorrentes da ação humana.

Segundo, é preciso saber que elas existem desde que o mundo é mundo. Ocorrem em escalas de tempo que vão de décadas até milhões de anos, independente das ações ou inações humanas. Conforme já demonstrado cientificamente, as mudanças climáticas são inexoráveis, cíclicas e fazem parte da natureza do Planeta Terra. Incidiram a milhões, milhares, centenas e dezenas de anos atrás, e continuarão, queira ou não a humanidade. Foram responsáveis por diversas mutações nas condições e formas de vida, além da extinção e evolução natural de diversas espécies. (Yuval Noah Harari, ?Sapiens ? Uma breve história da humanidade? Ed. L&PM).

Terceiro, fato é que a população mundial continua a crescer desde o fim da grande fome de 1315-1317 e da Peste negra em 1350, quando chegou a 370 milhões. Estima-se que a população global chegou a 7,7 bilhões, em abril de 2019. As Nações Unidas preveem que a população humana chegará até 11,2 bilhões em 2100. Portanto, os impactos humanos e o crescimento econômico são inevitáveis.

Finalmente, mas de grande relevância, é que há provas de que a maior parte dos incêndios teve causa humana e criminosa. Somente nos últimos dias, centenas de pessoas foram presas por esta razão, em diversos estados do país e a Polícia Federal tem mais de 50 inquéritos abertos contra responsáveis por incêndios recentes.
Portanto, com base na ciência, em fatos, dados e investigações policiais é possível concluir que alarmar a questão climática não traz qualquer benefício direto ou indireto. Há dezenas de outras causas, a maior parte criminais e de má gestão, que causaram em 2010 e voltam a causar em 2024 os altos números de áreas vitimadas por incêndios descontrolados e destruidores do equilíbrio dos ecossistemas.

É preciso monitorar, fiscalizar, prevenir e punir os crimes de incêndio, ampliar o acesso a água, combater e reverter a poluição de mananciais, prestar o saneamento básico, gerar emprego, educação, renda, segurança alimentar e a moradia digna. A única esperança realista de evitar o colapso ecológico é o desenvolvimento de tecnologias e ações sustentáveis, que promovam o desenvolvimento social, econômico, com o menor impacto ambiental possível, notadamente no que se refere aos temas mencionados.

As mudanças climáticas impactam, claro, mas não são as causas principais dos recordes de incêndios de ontem e de hoje, nem dos demais colapsos e tragédias ambientais, do Brasil e do Mundo, como pintam os alarmistas, sensacionalistas e todo tipo de extremista eco-negacionista. Muito menos são a grande ameaça ambiental global, e isso não quer dizer que devemos nos olvidar ou negar as mesmas.

Que o Brasil, como como outros países, fuja desse e outros sofismas ambientalistas e prestigie a ciência, a lógica, dados e investigações com provas, enfrentando as verdadeiras causas dos incêndios, porque colocar a culpa de tudo no fantasma das mudanças climáticas é um negacionismo que causa mais tragedias, seja de água, fogo, ar ou terra.