Léo e Ana ignoram a própria colmeia política sem pensar em 2028
Dois dos principais nomes cotados para a disputa da prefeitura de Salvador em 2028, a vice-prefeita Ana Paula Matos (União Brasil) e o deputado federal reeleito Léo Prates (Republicanos), parecem ignorar o conceito de grupo político. Ambos quedam-se silentes sobre o apoio à eleição do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), mesmo diante das demonstrações efusivas das principais lideranças do grupo ao qual pertencem, notadamente o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e o prefeito Bruno Reis (União).
Léo Prates, que já articula o próprio nome para o Thomé de Souza, tomou “doril”, como se diz no popular, desde que se reelegeu. Nem mesmo o anúncio do apoio do seu partido a Flávio fez com que o deputado fizesse qualquer aceno ao candidato do PL. Léo, diferente do que se pensa, não viajou para “relaxar” após a batalha eleitoral. Está na Bahia e já busca integrantes para o seu intento.
A vice-prefeita de Salvador, da mesma forma, não fez nenhuma sinalização pró-Bolsonaro. Embora tenha se empenhado muito na eleição de Neto ao governo do Estado, Ana não demonstrou o menor interesse em fortalecer seu grupo político na esfera federal.
Os dois, porém, não estão sozinhos. Matéria do Bahia Notícias publicada ontem (19) elenca os quadros da prefeitura de Salvador que não foram à manifestação do sábado passado, no Farol da Barra. As desculpas para a falta de apoio são das mais variadas: de obrigações religiosas a eventos familiares inadiáveis.
Nos bastidores da política, comenta-se que, talvez, boa parte dos escolados políticos ligados a Bruno e Neto, e que não têm força política quase nenhuma longe deste núcleo, não tenha se dado conta da centralidade da eleição de Flávio para a sobrevida da própria colmeia política que habita.
O cenário, politicamente falando, com a reeleição de Lula (PT), é duríssimo para o grupo de Bruno e Neto em Salvador em 2028. E não teria Ana, Léo ou santo que operasse esse milagre sem apoio federal. O mantra, ao que parece, precisa ser repetido incessantemente, para que as vaidades individuais caiam por terra.
Perder por 20 anos seguidos para o PT talvez ainda não tenha sido suficiente para que a oposição na Bahia entenda o conceito de time.
