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Marcelo Chaves 12 de Julho, 2024
Foto - Marcelo Chaves

O boom imobiliário no mercado de Salvador – parte II

Boom imobiliário
Foto - Marcelo Chaves
Marcelo Chaves 12 de Julho, 2024

No artigo publicado nesta coluna na semana passada, traçamos um panorama de forma simples e objetiva dos principais vetores de crescimento e desenvolvimento da nossa cidade que proporcionaram um “Boom imobiliário” em cada momento, a partir dos anos 70. Falamos da importância de Vilas do Atlântico para a região do aeroporto, do Caminho das Árvores, Itaigara e loteamento Vela Branca. Do entorno da rodoviária e do primeiro grande shopping da Bahia, o Iguatemi, passamos pelas mudanças nas condições de compra e financiamento de um imóvel, o que proporcionou um crescimento exponencial do mercado, ajudando no lançamento do primeiro projeto de bairro planejado de Salvador, que viria a ser o Pituba Ville, que foi muito favorecido pela revitalização da orla do Costa Azul e da implantação do Aeroclube.

Neste artigo vamos entrar pelos anos 2000, abordando a evolução e reestruturação do mercado, com a mudança no comportamento de incorporadoras, construtoras, corretores e, claro, o principal, o cliente. Quando essa região da orla começou a despertar o interesse das grandes incorporadoras, é bom que se diga que inúmeros condomínios de casas, da Boca do Rio até Itapoan  já existiam e consolidavam a região como o principal vetor de crescimento da cidade, mas antes alguns pilares contribuíram para o crescimento e desenvolvimento dessa área da cidade. A avenida Paralela e o Centro Administrativo foram importantes intervenções para despertar o interesse das pessoas de morar nessa região. Outro ponto pouco destacado, mas não menos importante foi o crescimento do polo petroquímico instalado em Camaçari que ficava mais próximo da região da orla de Patamares, facilitando o acesso para quem trabalhava lá.

Os condomínios de casas, principalmente em Jaguaribe e Patamares deram início a um grande movimento de mudança de hábito e comportamento das pessoas, em morar numa região mais tranquila e arborizada. De olho nesse comportamento, grandes incorporadoras começaram a adquirir terrenos na região e na mesma época entre os anos de 2006 e 2008 tivemos os lançamentos de Alphaville, com seus 3 condomínios de casas, e o icônico Le Parc, da Cyrela, que certamente foi o maior lançamento imobiliário de Salvador. Jamais se viu algo tão imponente e impressionante no mercado como o lançamento do Le Parc. Simplesmente os olhos deixaram de ser voltados para a orla de Salvador e todos só queriam saber da região da Paralela que não tinha qualquer atrativo de moradia, sem escolas, mercados, shoppings, restaurantes. A única coisa que existia eram 3 postos de gasolina ao longo da via, o CAB e o estádio de Pituaçu. Mas ali nascia o empreendimento que seria um divisor de águas para a região. Com suas 18 torres, completa infraestrutura de lazer, com conceito condomínio clube resort, até hoje uma das mais impressionantes áreas de lazer em condomínio, que vem se modernizando e atualizando a cada ano. O condomínio hoje conta até com restaurante, salão de beleza, feirinha e delicatessen.

A partir daí, pequenas e médias incorporadoras adquiriram terrenos na região, sobretudo em Alphaville, transformando o local em mais um bairro planejado de Salvador. Aproveitando esse movimento do “Boom imobiliário”, veio a PDG com o lançamento do Greenville, localizado na avenida Pinto de Aguiar, que faz a principal ligação da Paralela para a orla. Mais uma vez, foi utilizado o conceito de bairro planejado. Dessa vez, a PDG, em vez de lançar um condomínio clube, fez 4 condomínios, cada um com sua infraestrutura, também numa região em que só existiam na época do seu lançamento as promessas de desenvolvimento, como pista dupla, revitalização da pavimentação e iluminação, a estação de metrô próxima ao estádio de Pituaçu, a Universidade Católica e os icônicos motéis, que por muito tempo davam nome à avenida.

A partir deste momento, o mercado de Salvador começou a despertar o interesse de incorporadores e investidores. Foi quando grandes nomes do mercado imobiliário, como Lopes, CIA, Remax e Brasil Brokers enxergaram o enorme potencial do mercado baiano e nesta euforia o cliente se interessou em investir em imóveis e também em tirar do papel o sonho da casa própria.

Na semana que vem continuamos com a ascensão do mercado e veremos como ele se comporta a partir de 2010. Até lá!