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Georges Humbert 24 de Novembro, 2025
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Sem combustíveis fósseis, não haveria COP 30

Sustentabilidade e meio ambiente
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Georges Humbert 24 de Novembro, 2025

A Conferência das Partes (COP) da ONU sobre Mudanças Climáticas é o principal fórum global para discutir a redução de emissões de gases de efeito estufa e a transição para uma economia de baixo carbono. No entanto, há uma hipocrisia, contradição e falácia inerente: esses eventos dependem massivamente de combustíveis fósseis para ocorrer.

Os números de emissões demonstram que, sem o uso de combustíveis fósseis, a COP 30 – realizada em Belém, Brasil, em novembro de 2025 – simplesmente não poderia ter acontecido. Destacam-se principalmente as emissões de viagens aéreas, que representam a maior parte do impacto ambiental desses encontros, e na dependência quase total da aviação de derivados de petróleo. Além disso, há m as emissões do sistema de ar-condicionado e dos navios usados como hospedarias flutuantes, destacando ainda mais a reliance em fontes fósseis. Sem falar em montagem, transporte de ônibus, vans, taxi, uber, preparo de alimentos.

Nenhum Evento Global com Milhares de Participantes não se viabiliza sem combustível fóssil, como a Cop, um desses eventos, quer abolir, em uma autofagia. A COP 30 atraiu um número recorde de participantes, destacando a escala logística necessária para um evento dessa magnitude.

De acordo com dados provisórios, 56.118 delegados se registraram para participar presencialmente, tornando-a a segunda maior COP da história, atrás apenas da COP 28 em Dubai, que teve mais de 80.000 participantes. 38 Isso inclui 11.519 delegados de partidos (países e a União Europeia), com um total estimado de 23.509 considerando delegações adicionais, além de mais de 12.000 observadores (principalmente de ONGs) e 3.920 membros da mídia. 46 Representantes de 193 países, mais a UE, viajaram para o Brasil, com delegações maiores vindas de nações como Brasil (3.805 delegados), China (789) e Nigéria (749).

Esses números ilustram a necessidade de transporte internacional em massa. Sem aviões comerciais e privados – que dependem quase exclusivamente de querosene de aviação derivado de petróleo –, reunir dezenas de milhares de pessoas de todos os continentes seria impossível. Alternativas como videoconferências existem, mas a essência da COP é o networking presencial e as negociações face a face, que exigem mobilidade global. Além disso, a falta de acomodações em Belém levou ao uso de navios de cruzeiro como hotéis flutuantes, dependentes de diesel para operação.

O Custo Ambiental das Viagens para a COP é gigantesco. Para quantificar o impacto, usamos dados de emissões de COPs anteriores como proxy, já que relatórios detalhados sobre a COP 30 ainda estão emergindo. Na COP 26, em Glasgow (2021), o footprint médio por delegado foi de 3,42 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), comparável ao consumo anual médio de um indivíduo em muitos países em desenvolvimento. Cerca de 75% dessas emissões vieram de voos internacionais, com o total da conferência equivalendo às emissões anuais de uma nação insular pequena como Samoa.

Aplicando essa média à COP 30, com 56.118 participantes presenciais, estimamos emissões totais em torno de 192.000 tCO₂e – uma quantidade significativa, equivalente a mais de 40.000 voos de ida e volta entre Nova York e Londres. A aviação contribui para cerca de 2-3% das emissões globais anuais, mas para eventos como a COP, ela é o principal vetor. Estudos sobre conferências internacionais de radiologia mostram que viagens aéreas podem representar até 22% das emissões projetadas para 2050 se não houver mudanças drásticas. Na COP 29, em Baku (2024), mais de 70.000 participantes geraram emissões semelhantes, com uso intensivo de jatos privados – que emitem até 14 vezes mais CO₂ por passageiro do que voos comerciais.

Sem combustíveis fósseis, essas emissões não existiriam porque a aviação atual é 99% dependente de querosene fóssil. Mas também não haveria Cop30. Combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), como os promovidos em plataformas para a COP 30, representam menos de 1% do combustível usado globalmente e dependem de subsídios e escalas limitadas. Iniciativas como a compra de certificados de SAF para compensar emissões foram opcionais na COP 30, mas não eliminam a dependência fundamental de fósseis para o transporte aéreo.

E as Emissões do Sistema de Ar-Condicionado, Essencial em um Clima Tropical? Belém, localizada na Amazônia, tem temperaturas médias de cerca de 30°C e alta umidade em novembro, tornando o ar-condicionado indispensável para o conforto de 56.118 participantes em pavilhões e salas de reunião. De acordo com o plano de sustentabilidade da COP 30, o evento utilizou sistemas de ar-condicionado de alta eficiência para reduzir o consumo de energia, contribuindo para uma redução total de emissões de aproximadamente 7.000 tCO₂e através de tecnologias eficientes, incluindo AC, iluminação e geradores. 32 O consumo de energia total foi reduzido em 6,5 milhões de kWh (uma diminuição de 40%), resultando em um uso efetivo de cerca de 9,75 milhões de kWh para todo o evento.

Assumindo que o ar-condicionado represente cerca de 50% do consumo de energia em um ambiente tropical – uma estimativa conservadora baseada em padrões para grandes conferências –, isso equivale a aproximadamente 4,875 milhões de kWh atribuíveis ao AC. A intensidade de carbono da eletricidade no Brasil é baixa, em torno de 97-103 gCO₂/kWh em 2025, graças a uma matriz energética dominada por hidrelétricas (89% de fontes de baixo carbono). Usando 100 gCO₂/kWh, as emissões do AC seriam de cerca de 488 tCO₂e.

Sem falar que a segurança energética veio de geradores a diesel para backup, com efficiencies que evitaram o uso de 2,2 milhões de litros de diesel (equivalente a ~5.900 tCO₂e evitados). 32 Sem combustíveis fósseis, esses geradores não operariam, e o AC dependeria exclusivamente da rede – mas em uma transição completa, alternativas como resfriamento solar ou bombas de calor geotérmicas ainda não estão escaladas para eventos dessa magnitude. Além disso, refrigeradores comuns em ACs, como R-410A, têm potencial de aquecimento global (GWP) de mais de 2.000 vezes o CO₂, adicionando emissões fugitivas. Assim, o AC da COP 30 ilustra a dependência de infraestrutura energética que ainda incorpora elementos fósseis.

Vale ressaltar, ainda, as Emissões dos Navios Hospedaria: Hotéis Flutuantes a Diesel. Devido à escassez de quartos de hotel em Belém (menos de 22.500 leitos disponíveis), dois grandes navios de cruzeiro – Costa Diadema (capacidade máxima de ~4.526 passageiros) e MSC Seaview (capacidade máxima de ~5.336 passageiros) – foram fretados como hospedarias flutuantes, adicionando mais de 6.000 leitos. Algumas fontes mencionam um terceiro navio para o presidente Lula e VIPs, mas focamos nos dois principais. Esses navios, atracados no porto de Outeiro, operaram com motores auxiliares a diesel para fornecer energia, ar-condicionado e serviços hoteleiros durante os 12 dias do evento.

Enquanto atracados, navios de cruzeiro consomem combustível para o “hotel load” (energia para cabines, cozinhas, etc.), tipicamente sem conexão à rede elétrica em portos como Belém.

Estimativas indicam um consumo de 50.000-60.000 litros de diesel por dia por navio grande, gerando cerca de 140-170 tCO₂e por dia por navio (baseado em fator de emissão de 2,68 kgCO₂/litro). 30 Para dois navios, isso soma ~300 tCO₂e por dia, ou ~3.600 tCO₂e ao longo de 12 dias. Essa é uma subestimação conservadora, já que críticas destacam o uso de combustível bunker (alto em enxofre), com emissões equivalentes a milhares de carros por dia em poluentes.

Sem diesel fóssil, esses navios não poderiam operar como hotéis, forçando cancelamentos ou formatos remotos. Estudos gerais mostram que navios de cruzeiro em operação emitem 0,42 tCO₂e por passageiro por dia em viagens, mas mesmo atracados, o impacto é significativo (cerca de 0,04-0,05 tCO₂e/passageiro/dia para 6.000 ocupantes). 33 Isso reforça a hipocrisia: um evento climático dependendo de “hotéis flutuantes a diesel” para prosseguir.

Não só a Cop 30, todas outras – e a vida no planeta – depende de combustíveis fósseis. A COP 30 não se resume a voos. O local em Belém exigiu energia para iluminação, ar-condicionado e infraestrutura para 56.000 pessoas, em uma região onde a matriz energética brasileira ainda inclui gás natural e diesel para backup. Globalmente, a aviação busca metas de net-zero até 2050, mas resoluções da ICAO (Organização Internacional de Aviação Civil) admitem que emissões de CO₂ da aviação internacional continuarão a crescer sem inovações radicais. Conferências como a COP dependem de uma economia global movida a fósseis: desde o petróleo para fabricar plásticos usados em credenciais até o diesel para geradores de emergência e navios hospedaria.

Ironically, enquanto a COP 30 discutia uma “transição para longe dos combustíveis fósseis” – um tema que falhou em ser incluído no acordo final devido a obstruções de petrostados –, o evento em si destacou a dependência atual. Mais de 1.600 lobistas de combustíveis fósseis participaram, representando 1 em cada 25 atendentes, superando delegações de muitos países.

O extremismo e o radicalismo do caminho para a Transição Climática e o discurso para erradicar os combustíveis fósseis se implodem, como uma falácia. O próprio discurso na Cop 30 só foi possível em razão do uso dos combustíveis fósseis. Os dados são claros: sem combustíveis fósseis, não haveria COP 30. As 192.000 tCO₂e estimadas em emissões de viagens, mais ~500 tCO₂e do ar-condicionado e ~3.600 tCO₂e dos navios hospedaria, mostram que eventos globais como esse requerem infraestrutura que ainda não pode ser sustentada apenas por renováveis. Isso não invalida a necessidade de transição, mas mostra que não se pode seguir o extremismo e o radicalismo ambientalista, e de cientistas paranóicos, que já previu – e falhou – o fim da Amazônia, de Amsterdam, Veneza e das geleiras para o início deste século.

Todavia, isso não muda a urgência de inovar em tecnologias como SAF em escala, conferências híbridas e navios elétricos. Até lá, o discurso ambientalista radical na COP 30 é negacionista e sem base em ciência séria. Fica um lembrete paradoxal: para uma verdadeira transição energética, mantendo uma vida digna e justiça social, os fósseis são indispensáveis, e os alarmistas climáticos, para disseminarem seus discursos desarrazoados, inflamados e apelativos, dependem do problema que dizem querer resolver, emitindo muito Co2 e poucas soluções reais para os verdadeiros dilemas da humanidade: fome, miséria, pobreza, sede, lixões, falta de saneamento, violência, moradias precárias, mortalidade infantil e toda sorte de indignidade e injustiça social.