Analistas reduzem projeção da inflação para 2026 e mantém expectativa de crescimento do PIB, aponta Banco Central
A projeção dos analistas para a inflação em 2026 foi revisada para baixo, enquanto a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) manteve trajetória de estabilidade, segundo dados do Relatório Focus, divulgados nesta segunda-feira (12) pelo Banco Central (BC).
De acordo com a pesquisa semanal realizada com economistas, a mediana das estimativas para o IPCA de 2026 recuou de 4,06% para 4,05%, ficando 0,45 ponto percentual abaixo do teto da meta de inflação, que é de 4,50%. Há um mês, a projeção era de 4,10%. Considerando apenas as 56 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, o índice subiu levemente, de 3,99% para 4%.
O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (9). O resultado ficou abaixo da última projeção do Focus, de 4,31%, e da estimativa do próprio Banco Central, que previa inflação de 4,4% no período.
Segundo a trajetória divulgada na reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central projeta que o IPCA termine 2026 em 3,5% e que a inflação acumulada em 12 meses alcance 3,2% no horizonte relevante, atualmente situado no segundo trimestre de 2027.
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, baseada no IPCA acumulado em 12 meses, com centro de 3% e tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Caso o índice permaneça fora do intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. Esse cenário ocorreu após a divulgação do IPCA de junho, mas em novembro a inflação acumulada caiu para 4,46%, voltando a ficar abaixo do teto.
No último Relatório de Política Monetária (RPM), o Banco Central reforçou o compromisso com a convergência da inflação para o centro da meta. “O reenquadramento da inflação dentro dos limites estabelecidos para a faixa de tolerância é uma etapa natural do processo de convergência à meta”, destacou o documento.
As projeções do Focus para o IPCA de 2027 e 2028 permaneceram estáveis em 3,80% e 3,50%, respectivamente, pela décima semana consecutiva. Para 2029, a mediana seguiu em 3,50%, pela 19ª semana seguida.
PIB
A estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2026 manteve-se em 1,80%, pela quinta semana consecutiva, segundo o Focus. Considerando apenas as 40 projeções mais recentes, a expectativa subiu de 1,74% para 1,87%.
No RPM do quarto trimestre, o Banco Central elevou sua projeção de crescimento da economia em 2025 de 2,0% para 2,3%, atribuindo o ajuste à revisão das Contas Nacionais Trimestrais e ao desempenho acima do esperado no terceiro trimestre, especialmente no setor agropecuário.
Para 2027, a projeção intermediária do Focus também permaneceu em 1,80%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 seguiram estáveis em 2,0%.
Dólar
A mediana das projeções para a cotação do dólar ao fim de 2026 foi mantida em R$ 5,50, pela 13ª semana consecutiva. Para 2027, a estimativa também seguiu em R$ 5,50, enquanto para 2028 ficou em R$ 5,52.
A moeda norte-americana encerrou 2025 cotada a R$ 5,4890, acumulando queda de 11,18% frente ao real, movimento influenciado pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, impulsionadas pela Selic em 15% ao ano.