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Redação 30 de Julho, 2025
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Crise na pecuária dos EUA pressiona inflação e pode abrir caminho para carne brasileira, avaliam especialistas

Economia
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Redação 30 de Julho, 2025

A pecuária norte-americana enfrenta uma combinação de fatores que tem elevado o preço da carne bovina no país e acendido um alerta para a inflação. Além da histórica redução do rebanho — o menor nível em mais de 70 anos — e do aumento no custo da alimentação animal, uma nova ameaça sanitária vem preocupando autoridades: a possível chegada da mosca-da-bicheira, praga que já afeta rebanhos no México.

De acordo com a nutricionista Anete Mecenas, professora da Estácio, a ingestão de carne bovina contaminada por ovos ou larvas desse inseto pode causar miíase intestinal em seres humanos, com sintomas como dores abdominais, náuseas, vômitos e presença de sangue nas fezes.

“As moscas depositam seus ovos em feridas abertas. Esses insetos podem entrar em contato com a pele humana, eclodir, provocar infecções e até destruir tecidos”, explica a especialista. Segundo ela, diante de surtos, o consumo de carne bovina deve ser evitado nas regiões afetadas.

O cenário de crise pode, no entanto, abrir uma oportunidade para o Brasil. Para o economista Hugo Mezza, também professor da Estácio, os Estados Unidos poderão ser forçados a revisar suas barreiras tarifárias para garantir o abastecimento interno e conter a inflação.

“Com menos oferta e mais riscos sanitários, os preços da carne sobem ainda mais. A manutenção das tarifas contra países exportadores, como o Brasil, vai na contramão do controle da inflação e da política monetária americana”, afirma Mezza.

Ele lembra que as tarifas impostas ainda na gestão Trump vêm contribuindo para o aumento dos preços internos.

Além disso, o desequilíbrio no ciclo produtivo — causado pelo abate intensificado de fêmeas, que compromete a reprodução e o futuro do rebanho — pode agravar o quadro nos próximos anos.

“Isso afeta todo o ecossistema da pecuária e pode ampliar ainda mais a necessidade de importações”, diz o economista.

Mesmo com as barreiras comerciais em vigor, Mezza avalia que o Brasil, como um dos maiores produtores de carne do mundo, deve acompanhar de perto os desdobramentos.

“Pode haver uma reaproximação dos EUA com fornecedores internacionais. Se houver abertura, o Brasil estará bem posicionado para atender essa demanda.”