Economia perde força antes do previsto, aponta XP, que derrubou projeção do PIB de 2026
A economia pode perder força antes do previsto, segundo avaliação feita pela XP Investimentos, divulgada nesta sexta-feira (4). Após os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, a instituição reduziu de 2% para 1,7% a projeção de crescimento da atividade em 2026.
Embora o PIB tenha avançado 0,5% entre o primeiro e o segundo trimestre, o consumo das famílias recuou 0,4% no período, movimento relevante diante do crescimento da renda real e das medidas de estímulo adotadas pelo governo.
“Nosso cenário anterior já previa uma ‘ressaca’ da atividade doméstica, porém a partir do quarto trimestre deste ano. Na prática, os sinais de arrefecimento começaram a ficar claros já no final do segundo trimestre”, afirma Rodolfo Margato, economista da XP.
A projeção para 2027 foi mantida em 1%, mas a XP avalia que existe risco de uma revisão para baixo. O cenário também é influenciado pelo ambiente internacional, com a possibilidade de juros elevados nos Estados Unidos e pelas oscilações nos preços de commodities importantes para o Brasil, como petróleo, soja, milho e açúcar.
“A economia brasileira está perdendo força mais cedo do que esperávamos”, diz o economista-chefe da XP, Caio Megale.
Juros mais altos nos Estados Unidos podem pressionar o dólar, encarecendo custos da cadeia produtiva brasileira e reduzindo a atratividade do país para investidores estrangeiros.
Na avaliação dos economistas, o saldo positivo das exportações e a atuação do Banco Central podem limitar parte desse impacto, mas não eliminam o risco de uma desaceleração mais forte da economia.