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Redação 10 de Setembro, 2025
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Inflação recua 0,11% em agosto e registra primeira deflação em um ano

Economia
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Redação 10 de Setembro, 2025

IPCA fecha mês em queda, puxado por redução na conta de luz e alimentos

A inflação oficial do Brasil apresentou queda em agosto, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrando -0,11%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado marca a primeira deflação desde agosto de 2024 (-0,02%) e a mais intensa desde setembro de 2022 (-0,29%).

Apesar do recuo, o acumulado em 12 meses ficou em 5,13%, abaixo dos 5,23% registrados até julho, mas ainda acima da meta do governo, que tem limite superior de 4,5%. Esse índice é usado como referência para reajustes de salários, aposentadorias e benefícios sociais, impactando diretamente o poder de compra da população.

Energia e alimentos foram os principais responsáveis pela queda

A conta de luz foi o fator que mais puxou o índice para baixo, com redução média de 4,21% no mês e impacto negativo de 0,17 ponto percentual (p.p.) no IPCA. O resultado foi influenciado pelo Bônus de Itaipu, desconto que beneficiou mais de 80 milhões de consumidores e compensou a cobrança da bandeira tarifária vermelha 2, que acrescenta R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, a redução tem efeito temporário.

“No próximo mês, sem o bônus, a tendência é que as tarifas de energia voltem a subir”, alertou.

O grupo Alimentação e Bebidas também apresentou queda de 0,46%, com destaque para reduções em itens como manga (-18,40%), tomate (-13,39%), mamão (-10,9%), batata-inglesa (-8,59%), cebola (-8,69%), arroz (-2,61%) e café moído (-2,17%).

Nos Transportes, o recuo foi de 0,27%, impulsionado pela queda nas passagens aéreas (-2,44%), típica após o período de férias escolares. A gasolina teve baixa de 0,94%, sendo o segundo item com maior impacto negativo (-0,05 p.p.) no índice geral.

Outros setores tiveram alta

Apesar da deflação, alguns grupos registraram aumento nos preços:

  • Educação (0,75%), com destaque para o ensino superior (1,26%) e cursos de idiomas (1,87%);
  • Saúde e Cuidados Pessoais (0,54%);
  • Vestuário (0,72%);
  • Despesas Pessoais (0,40%).

Impacto direto no bolso do consumidor

O resultado de agosto traz alívio temporário para as famílias, especialmente no pagamento de contas de luz e na compra de alimentos. Porém, como a redução foi pontual e os preços de energia devem subir novamente em setembro, especialistas alertam que a inflação pode voltar a acelerar nos próximos meses, influenciando diretamente aposentadorias, salários e benefícios que serão reajustados em 2026.

O IPCA considera famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos — atualmente fixado em R$ 1.518 — e é calculado em 27 cidades brasileiras, incluindo todas as capitais e o Distrito Federal.