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Redação 19 de Agosto, 2026
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Varejo brasileiro enfrenta pressão com juros altos, crédito caro e concorrência digital

Economia
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Redação 19 de Agosto, 2026

Casas Bahia, Marabraz, Americanas, GPA e Marisa estão entre as principais varejistas do país que enfrentaram dificuldades financeiras nos últimos anos, com efeitos que vão de fechamentos de lojas e reestruturações a processos de recuperação judicial.

Embora os casos tenham características próprias, eles ajudam a revelar um cenário de pressão que atravessa diferentes segmentos do setor. O dinheiro ficou mais caro justamente em um momento de transformação na forma de vender, comprar e competir. As informações são do g1.

De um lado, juros elevados encarecem o crédito e reduzem o espaço das famílias para parcelar compras. De outro, aumentam o custo das dívidas e das operações das próprias empresas. Ao mesmo tempo, marketplaces, comércio eletrônico e concorrência internacional ampliam a disputa por preços e pressionam as margens das varejistas, que também precisam investir em tecnologia e logística para acompanhar as mudanças.

Nesse ambiente, ficam mais expostas as empresas que geram pouco caixa com as próprias operações, acumulam estoques, mantêm estruturas físicas caras ou carregam dívidas difíceis de administrar.

Crédito caro reduz o poder de compra das famílias

Quando a taxa básica de juros está elevada, o custo do dinheiro tende a aumentar em toda a economia. Em um cenário de juros elevados, a Selic está em 14% ao ano e serve como referência para as demais taxas praticadas na economia.

Na prática, juros maiores encarecem as compras parceladas e podem fazer o consumidor adiar a aquisição de produtos de maior valor. Quanto maior o preço e mais longo o prazo de pagamento, maior tende a ser o custo final da compra. Por isso, segmentos como móveis e eletrodomésticos costumam sentir de forma mais rápida os efeitos de um crédito mais restrito.

O Relatório de Economia Bancária (REB), do Banco Central, mostra como as taxas praticadas no mercado podem dificultar o acesso a financiamentos de prazo mais longo.

O impacto também é maior entre as famílias de menor renda, que enfrentam custos de crédito mais elevados e têm menos margem para assumir parcelas de bens de maior valor. Quando essas compras são adiadas, o efeito chega diretamente às lojas.

A empresa pode vender menos e, para tentar preservar o ritmo das vendas, oferecer prazos maiores ou condições mais vantajosas. Com isso, pode levar mais tempo para receber pelos produtos vendidos ou precisar pagar mais para antecipar esses recursos.

Enquanto a receita demora a entrar, despesas como salários, aluguel, fornecedores, impostos e juros continuam.

O problema, portanto, não está apenas na redução do faturamento. A situação se torna mais delicada quando as vendas deixam de gerar caixa suficiente para cobrir os compromissos do dia a dia.

Segundo Bruno Medeiros Durão, especialista em Direito Bancário e Tributário, essa diferença entre faturamento e geração de caixa é fundamental para entender a situação financeira de uma empresa.

“Muitas empresas olham apenas para o faturamento e esquecem que existe uma diferença enorme entre vender muito e gerar caixa.”

Os efeitos, porém, não são iguais em todos os segmentos. Varejistas que dependem mais de financiamento tendem a sentir antes uma desaceleração do consumo, enquanto outros podem enfrentar impactos relacionados a custos, estoques ou concorrência.

Essa diferença também aparece em análises da Genial Investimentos, que relaciona o ritmo mais fraco da economia a uma política monetária “significativamente contracionista” e identifica perda de força justamente em setores mais ligados ao crédito.

Uma varejista que tem forte dependência de vendas parceladas, trabalha com estoques elevados e mantém uma ampla rede de lojas pode enfrentar um cenário especialmente desafiador: queda no consumo, aumento do custo das dívidas e despesas fixas que permanecem mesmo com a redução da receita.

Ao mesmo tempo em que lidam com o crédito caro, os varejistas enfrentam uma transformação no comportamento do consumidor. A expansão dos marketplaces e das plataformas de comércio eletrônico aumentou o número de opções disponíveis e tornou a comparação de preços muito mais fácil.