Salvador reconhece Bando de Teatro Olodum como Patrimônio Cultural Imaterial
Companhia fundada em 1990 ganha proteção oficial da prefeitura, reforçando sua relevância artística e social no teatro baiano.
O Bando de Teatro Olodum passou a integrar oficialmente o patrimônio cultural imaterial de Salvador. A decisão foi sancionada pela prefeitura por meio da Lei nº 9.976/2026, publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (6). O reconhecimento garante apoio institucional e ações de preservação da memória e das atividades do grupo, que há mais de três décadas se destaca pela valorização da cultura negra e pelo combate ao racismo nos palcos.
Criado em 1990, fruto da parceria entre o Grupo Cultural Olodum e artistas das artes cênicas, o Bando consolidou uma linguagem própria que une teatro, música e dança para dialogar com o cotidiano da população. A nova legislação prevê que a Fundação Gregório de Mattos e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo sejam responsáveis por iniciativas de documentação e fomento, assegurando a continuidade da trajetória da companhia.
Ao longo de sua história, o Bando revelou nomes que hoje são referências nacionais. Lázaro Ramos, por exemplo, iniciou sua carreira no grupo aos 15 anos e já declarou em entrevistas que a experiência foi decisiva para sua formação artística. Outro encontro marcante ocorreu quando Wagner Moura, ainda adolescente, assistiu a uma apresentação e ficou impressionado com a presença cênica de Lázaro.
A companhia também foi responsável pela criação de obras emblemáticas, como “Ó Paí Ó”, que se tornou símbolo da cultura baiana e ganhou projeção nacional. Entre os talentos revelados pelo coletivo estão Edvana Carvalho, Érico Brás e Lucas Leto, que hoje brilham na televisão, no cinema e na literatura.
Com o reconhecimento oficial, Salvador reforça o compromisso de preservar uma das mais importantes expressões culturais de sua história, consolidando o Bando de Teatro Olodum como referência de resistência, criatividade e protagonismo negro.