Justiça investiga atuação do Nubank em caso envolvendo CDBs do Banco Master
O Nubank passou a ser alvo de uma Ação Civil Pública que investiga a comercialização de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master antes da liquidação extrajudicial da instituição, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A ação também envolve o XP e o BTG Pactual.
O processo foi encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e foi movido pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador (Abradecont). A entidade questiona a forma como os títulos foram ofertados aos investidores, especialmente a ênfase no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como principal argumento de segurança nas plataformas de investimento. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
De acordo com a Abradecont, a estratégia de comunicação pode ter induzido investidores a enxergar os CDBs como aplicações de baixo risco, mesmo diante da situação financeira fragilizada do banco emissor à época.
No caso específico do Nubank, a distribuição dos CDBs do Banco Master teria alcançado cerca de R$ 2,9 bilhões, realizada por meio da Nu Invest, plataforma incorporada ao grupo após a aquisição da Easynvest, em 2020.
Em posicionamento oficial, o Nubank informou que interrompeu a oferta de novos CDBs do Banco Master ainda em 2024. A instituição também destacou que não trabalha com assessores de investimento, afirmando que todas as decisões de aplicação são tomadas de forma autônoma pelos próprios clientes dentro do aplicativo.
Com o recebimento da ação, o MP-RJ irá analisar os argumentos apresentados pela associação e as manifestações das instituições envolvidas. Caso sejam identificados indícios de irregularidades, o órgão poderá abrir um inquérito civil para apurar possível falha no dever de informação ao consumidor.
Especialistas ouvidos destacam que a simples distribuição de CDBs emitidos por terceiros não configura, por si só, uma irregularidade. A apuração busca esclarecer se eventuais riscos ou fragilidades financeiras do Banco Master eram de conhecimento das plataformas e se essas informações foram devidamente comunicadas aos investidores no momento da oferta.