EUA são criticados por bloquear gênero e participação social na COP17
Representantes denunciam exclusão de temas como gênero e participação indígena; Brasil e União Europeia se opõem à postura norte-americana
Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais criticaram nesta terça-feira (25) o posicionamento dos Estados Unidos durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia. Desde o início do evento, o país tem bloqueado a inclusão de pautas sociais na agenda de negociações, como o tema de gênero.
Beth Roberts, articuladora de gênero da sociedade civil, afirmou que os EUA exigiram a remoção da palavra “gênero” em qualquer debate, definindo-a como inegociável. Para ela, a postura reflete estruturas de poder mais amplas:
“O nacionalismo e o autoritarismo demonstrados pelo governo dos Estados Unidos não estão desconectados do patriarcado”, disse.
A líder indígena Jennifer Tauli Corpuz, do povo Kankana-ey Igorot das Filipinas, destacou que consenso não significa unanimidade e criticou o bloqueio diplomático:
“A objeção de uma pessoa não deve sacrificar o bem de todos”.
Já a ativista Hindou Oumarou Ibrahim, do povo Mbororo (Chade), reforçou que ciência e conhecimentos tradicionais devem caminhar juntos e que a sociedade civil não está na conferência como observadora passiva, mas para participar plenamente das decisões.
Brasil e União Europeia têm se posicionado contra os bloqueios dos EUA e defendido a inclusão da sociedade civil na agenda. O ministro do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que é preciso enfrentar a resistência:
“Temos que aproveitar os últimos dias agora para reverter essa tendência”.