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Redação 26 de Setembro, 2025
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Ex-diretor do FBI James Comey é indiciado por declarações falsas e obstrução nos EUA

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Redação 26 de Setembro, 2025

Acusação ocorre sob governo Trump, que prometeu revidar contra críticos e ex-investigadores de sua campanha

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (25) o indiciamento do ex-diretor do FBI James Comey por acusações de declarações falsas e obstrução de justiça. Se condenado, ele pode enfrentar até cinco anos de prisão.

A medida representa uma escalada da campanha do presidente Donald Trump para retaliar críticos e ex-integrantes de investigações contra sua gestão. Comey, que comandou o FBI entre 2013 e 2017, foi demitido por Trump no início de seu primeiro mandato, em meio ao inquérito sobre a interferência russa nas eleições de 2016.

O caso tem origem em depoimento prestado por Comey em 2020 ao Comitê Judiciário do Senado. Na ocasião, ele negou ter autorizado o vazamento de informações sigilosas à imprensa, ponto central da acusação.

A procuradora-geral Pam Bondi, indicada por Trump, afirmou que “ninguém está acima da lei” e defendeu que o processo mostra o compromisso do Departamento em responsabilizar autoridades que abusam do poder.

A decisão, no entanto, gerou tensões internas no órgão. O promotor federal Erik Siebert, responsável pelo caso no Distrito Leste da Virgínia, renunciou na semana passada após discordar da força das provas. Outros procuradores também expressaram reservas, mas a sucessora de Siebert, Lindsey Halligan — ex-assessora da Casa Branca e advogada de defesa de Trump — deu prosseguimento ao indiciamento.

A relação entre Trump e Comey sempre foi marcada por atritos. Após sua demissão, o ex-diretor do FBI passou a criticar publicamente o presidente, a quem classificou como “moralmente inadequado” para o cargo. A exoneração de Comey levou à nomeação de Robert Mueller como procurador especial da investigação russa, que identificou contatos entre a campanha de Trump e autoridades de Moscou, mas não comprovou conspiração criminal.

Durante seu segundo governo, Trump tem buscado enfraquecer as conclusões de órgãos de inteligência sobre a interferência russa e reforçar a tese de que foi alvo de perseguição política.