Fenômeno El Niño deve se fortalecer ainda mais e permanecer ativo até fevereiro de 2027, aponta ONU
O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, atingir uma intensidade muito forte e permanecer atuando até o início de 2027, segundo uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
A agência aponta uma probabilidade de quase 100% de manutenção do fenômeno entre setembro e novembro deste ano e também entre dezembro e fevereiro de 2027. Para esses períodos, a chance de retorno da La Niña é considerada inexistente, enquanto a ocorrência de condições neutras também é apontada como praticamente nula. As informações são do g1.
O El Niño é uma das fases do fenômeno conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que também inclui a La Niña. Ele ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial apresentam aquecimento de pelo menos 0,5°C acima da média.
Os dados reunidos pela OMM mostram um forte aumento das temperaturas do Pacífico e mudanças na atmosfera compatíveis com o fortalecimento do fenômeno. A tendência é que esse cenário continue influenciando temperaturas e chuvas em diferentes regiões do mundo durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
A OMM, no entanto, ressalta que a intensidade do El Niño não permite determinar, sozinha, quais serão os impactos em cada local. Condições observadas nos oceanos Atlântico e Índico podem alterar os efeitos esperados.
Entre os fatores citados pela organização está a possibilidade de desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico, além da permanência de águas acima da média no Atlântico Equatorial. Esses padrões podem modificar a resposta típica ao El Niño e fazer com que uma mesma região apresente efeitos diferentes em episódios distintos.
“Já estamos vendo transtornos e devastação provocados por secas e enchentes, e esperamos que esses impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
Um dos principais indicadores usados pelos cientistas para acompanhar a evolução do fenômeno é a região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Em maio, a temperatura da superfície do mar no local estava 0,9°C acima da média. Em julho, a diferença chegou a 2°C.
Medições semanais feitas entre o fim de julho e meados de agosto registraram temperaturas entre 2,2°C e 2,6°C acima do normal, mostrando que o aquecimento continuou aumentando.
O calor também avançou para camadas mais profundas do oceano. Segundo a OMM, em algumas áreas do Pacífico, a temperatura da água abaixo da superfície ficou mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto.
Para a organização, esse grande volume de água excepcionalmente quente contribui para a continuidade e o fortalecimento do El Niño nos próximos meses.