Sudão: fome e doenças matam 95 pessoas em campo de deslocados em Darfur do Norte
Entre as vítimas, 73 são crianças; autoridades locais alertam para colapso total de serviços de saúde e pedem ação urgente da comunidade internacional
Nos últimos 40 dias, pelo menos 95 pessoas morreram por fome e doenças no campo de deslocados de Abú Shuk, localizado próximo a Al-Fashir, capital de Darfur do Norte, cercada pelas forças paramilitares sudanesas. O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (29) pela célula de emergência local.
Segundo o comunicado, as mortes incluem 73 crianças e 22 adultos. A entidade alertou para a “ausência quase total de serviços básicos, principalmente água e comida”, ressaltando que as cozinhas comunitárias deixaram de funcionar por falta de financiamento.
“Perdem-se mais de oito vidas por dia sob essas condições catastróficas”, destacou a nota, denunciando ainda o risco de desastre sanitário devido à presença de corpos espalhados em ruas e bairros, sem possibilidade de enterro.
As autoridades afirmam que crianças menores de cinco anos enfrentam desnutrição severa, enquanto idosos permanecem em estado crítico, em meio ao colapso dos serviços de saúde.
“Nenhum paciente pode receber tratamento e nenhum ferido consegue encontrar assistência médica”, acrescentou a célula de emergência, pedindo à comunidade internacional a criação de corredores seguros para civis desarmados.
Enquanto isso, as Forças Armadas sudanesas informaram que repeliram no domingo (28) uma ofensiva das Forças de Apoio Rápido (RSF) contra Al-Fashir, provocando “grandes perdas” entre os paramilitares em equipamentos e vidas. O Exército acusou ainda a RSF de retaliar bombardeando bairros residenciais, deixando dezenas de feridos, entre eles mulheres e crianças, sem divulgar números oficiais de mortos.
De acordo com o portal Sudan Tribune, o Exército conseguiu enviar suprimentos à sua principal base em Al-Fashir pela primeira vez em quase cinco meses, em meio à intensificação dos combates.
O conflito entre os militares sudaneses e as RSF começou em abril de 2023, em Cartum, e já deixou ao menos 40 mil mortos e cerca de 12 milhões de deslocados, segundo estimativas da ONU.