Diretor do BC diz à PF que Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou à Polícia Federal que o Banco Master possuía somente R$ 4 milhões em caixa antes da decretação da liquidação da instituição. O valor foi considerado incompatível com o porte do banco.
“Um banco de R$ 80 bilhões de ativos totais tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, tinha só R$ 4 milhões em caixa”, afirmou o diretor, em depoimento prestado em 30 de dezembro. As informações são do Bahia Notícias.
Os vídeos dos depoimentos de Aquino, do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e de Paulo Henrique Costa, do Banco de Brasília, foram tornados públicos nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a oitiva conduzida pela delegada Janaína Palazzo, o diretor do BC afirmou que a crise de liquidez do Master era evidente e que o banco não possuía ativos suficientes para cumprir suas obrigações financeiras. A situação resultou na abertura de um processo administrativo sancionatório, que segue em andamento.
Aquino também declarou que a instituição não vinha conseguindo cumprir o depósito compulsório, que corresponde à parcela dos recursos captados junto aos clientes que deve ser mantida obrigatoriamente no Banco Central.
Outro ponto destacado foi o volume de crédito concedido ao Banco de Brasília. Para o diretor, não havia lógica financeira em um banco sem liquidez conseguir gerar crédito nessa proporção, o que levou o BC a aprofundar as apurações.
Segundo Aquino, o BRB deverá constituir uma reserva elevada para cobrir eventuais perdas relacionadas ao caso, valor que pode chegar próximo a R$ 5 bilhões. Até o momento, cerca de R$ 2,6 bilhões já foram mapeados.
O diretor do Banco Central também afirmou que não sofreu qualquer tipo de interferência política durante o processo de fiscalização e liquidação da instituição.