Entre o Barradão, a igreja e a política: Conheça Diego Castro, deputado de oposição mais votado da Bahia
Antes de chegar à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e se tornar, nas eleições deste ano, o deputado estadual de oposição mais votado do estado, Diego Castro (PL) já havia encontrado no futebol e na igreja uma espécie de ponto de partida. Nascido no Cabula, em Salvador, ele começou aos 12 anos um projeto que misturava o famoso “babinha” e a evangelização para afastar crianças das drogas. Quatro anos depois, a iniciativa atendia quase 100 jovens da região.
“Eu tinha um time de futebol com vizinhos, e, embora muito novo, o fato de eu estar na primeira igreja batista da Engomadeira, fez com que eu participasse de um projeto de uma parte do que a gente chama de missão, que era os embaixadores do Rei”, conta Diego.
A brincadeira de infância, como ele próprio define o começo da história, acabou ganhando outra dimensão. O projeto Unidos pelo Futebol e Evangelismo fez com que o adolescente passasse a procurar apoio e recursos para manter a iniciativa. E foi nesse movimento que ele teve os primeiros contatos com o mundo político.
“Acho que ali foi meu primeiro start da vida política”, afirma.
Família, fé e futebol
Diego diz que prefere uma vida simples e que o tempo fora da política costuma ser dividido entre a família, os amigos, a igreja e o Vitória. A família, aliás, aparece como uma extensão do próprio trabalho.
“Gosto de estar sempre do lado da minha família, minha filha, minha esposa, meus pais, meus sobrinhos e meus amigos”, conta. “O gabinete da gente, que é uma família, a gente trabalha e fora também nós estamos sempre juntos, a minha equipe.”
Entre os lugares que fazem parte dessa rotina está o Barradão. Torcedor apaixonado do Vitória, Diego resume a relação com o estádio de uma forma que não deixa muita margem para dúvida. “Gosto muito de ir ao Barradão, é a minha segunda casa”.
O futebol continua aparecendo também como hobby. Diego conta que gosta de jogar bola e manter o hábito do “babinha” com os amigos, embora atualmente esteja com restrições médicas para atividades que possam provocar lesões. “Gosto muito de jogar bola, embora eu esteja proibido pelo médico. Eu gosto de pegar meu babinha”.
A fé também ocupa espaço central na vida fora da política. Diego conta que busca reservar momentos para a igreja e para a leitura das Escrituras, mesmo com uma rotina marcada por viagens e compromissos em diferentes cidades da Bahia.
“Eu gosto da simplicidade mesmo; estar do lado das pessoas que eu amo, que eu gosto. Estar dedicando um tempo também a minha fé com o nosso Senhor Jesus Cristo”.
Nem sempre, porém, o descanso consegue ser completamente separado da política. Diego afirma que, mesmo nos momentos de pausa, continua atendendo lideranças e mantendo contato com pessoas de diferentes regiões do estado. “E até nos momentos de descanso, eu separo para dar atenção às lideranças”, diz.
O salto das urnas
Em 2022, Diego saiu dos bastidores para disputar pela primeira vez um cargo eletivo. Foi eleito deputado estadual com 33.827 votos. Quatro anos depois, voltou às urnas com uma votação muito maior: 160.305 votos. O resultado o colocou como o deputado estadual de oposição mais votado da Bahia. Recentemente, durante o período eleitoral, o parlamentar se envolveu em uma confusão com estudantes da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ele chegou a ser acusado de agressão.
Para ele, o tamanho da votação foi maior do que o esperado, destacando que também foi o deputado estadual do PL mais votado na região Norte Nordeste. “O que me o que me deixou assim atônito foi saber também que eu fui deputado estadual de oposição mais votado do PL e da base bolsonarista no Norte e Nordeste. Isso aí para mim foi emocionante nem eu esperava nas minhas melhores contas”.
A conta, segundo Castro, passa por uma relação construída fora do gabinete. Ele diz ter feito das ruas uma extensão do trabalho parlamentar e atribui parte do resultado à proximidade com as bases. “Fomos o puxador do partido, que nem nos melhores sonhos a gente imaginaria isso. E esse crescimento se deve a um trabalho, primeiramente, entregue nas mãos de Deus. E é um trabalho aqui nessa terra, humanamente falando, de dedicação. Eu fiz da rua meu gabinete em quatro anos”, afirma.
As referências
Quando fala sobre quem ajudou a formar o homem e o político que se tornou, Diego olha para dentro de casa. Os pais aparecem antes mesmo das referências políticas. “Sem dúvidas, meus pais. O meu posicionamento político veio de dentro de casa”, afirma.
O pai, eleitor de Antônio Carlos Magalhães, teria influenciado a relação de Diego com a política baiana ainda cedo. Mais tarde, Jair Bolsonaro se tornou a principal referência política do deputado, enquanto Olavo de Carvalho teve papel importante em sua formação intelectual.
“Jair Messias Bolsonaro, aquele cara que me fez entrar de fato na política, me fez acreditar de fato na política”.
Sobre Olavo, Diego destaca justamente o papel intelectual dessa influência. “Foi quem me despertou do ponto de vista intelectual, a conhecer o que é direita e o que é esquerda, a estudar filosofia política.” Há ainda uma referência mais próxima e cotidiana: a esposa. Diego diz que a presença dela é importante para sustentar uma rotina em que passa boa parte da semana fora de casa. “Minha esposa, que está sempre me dando força, me incentivando dentro de casa”, conta.
A distância da família aparece como um dos custos que ele associa à vida política. “A gente sacrifica a família para fazer o que a gente faz”, afirma, antes de resumir a própria rotina: “A gente passa dos sete dias, cinco na rua e um e meio em casa.”
Legado
Depois de quatro anos na Alba e de uma votação que multiplicou por mais de quatro vezes o desempenho de 2022, Diego começa uma nova etapa do mandato. A política continua no centro da rotina, mas, para ele, existem duas palavras que resumem o que gostaria de deixar como marca. “As marcas que eu gostaria de ser lembrado são a da coragem e da autenticidade”.