Flávio Bolsonaro pede investigação de diretor da PF por suposto favorecimento a Lula
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma notícia-crime à Justiça Eleitoral contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A representação pede que o chefe da corporação seja investigado por supostamente ter utilizado a estrutura pública para favorecer o PT durante o primeiro turno das eleições.
A iniciativa tem como base uma entrevista concedida por Andrei Rodrigues no dia 4 de outubro, quando informou que a PF havia iniciado uma apuração preliminar sobre uma possível interferência estrangeira nas eleições. Na ocasião, o diretor afirmou que a análise havia sido encaminhada à Diretoria de Inteligência após uma representação apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo os advogados de Flávio, a divulgação da apuração durante o dia da votação gerou notícias sobre uma possível interferência externa e teria produzido efeito eleitoral favorável ao PT. A defesa sustenta que aliados do presidente Lula trabalharam previamente para associar a suposta interferência a grupos de direita.
Pedido de investigação
A notícia-crime cita o artigo 377 do Código Eleitoral, que proíbe o uso de repartições públicas para beneficiar partido ou organização política. Segundo a representação, Andrei Rodrigues poderia ter infringido a legislação ao divulgar informações sobre a apuração durante o primeiro turno.
A defesa também argumenta que, em uma disputa entre Lula e Flávio no segundo turno, informações negativas relacionadas a um dos candidatos poderiam beneficiar o adversário. A acusação, no entanto, integra a argumentação apresentada pela campanha de Flávio e não representa uma conclusão da Justiça Eleitoral sobre eventual irregularidade.
PF arquivou apuração
A Polícia Federal anunciou em 7 de outubro o arquivamento da apuração preliminar sobre a suposta interferência estrangeira. A análise havia sido aberta após solicitação da AGU, mas a Diretoria de Inteligência não identificou elementos suficientes para justificar a instauração de um inquérito formal.
O procedimento havia sido anunciado por Andrei Rodrigues no próprio dia do primeiro turno. Na ocasião, ele afirmou que se tratava de uma investigação preliminar e que ainda não havia portaria formalizando um inquérito.
Com o arquivamento, a campanha de Flávio passou a questionar também a divulgação da apuração no dia da votação e levou o caso à Justiça Eleitoral.
- Por FolhaPress