Flávio Bolsonaro repete ataques às urnas em evento internacional e reacende alerta no TSE
Declarações foram comparadas por ministros do TSE ao caso Francischini, que resultou em cassação por ataques ao sistema eleitoral
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a levantar suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas, desta vez diante de representantes estrangeiros, em encontro realizado na terça-feira (21). A fala, recheada de informações falsas, fez ministros do Tribunal Superior Eleitoral lembrarem o caso de Fernando Francischini, cassado em 2018 por ataques semelhantes ao sistema eletrônico.
Durante o seminário “Debatendo o Brasil”, promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, Flávio citou a empresa venezuelana Smartmatic, afirmando que ela teria fornecido urnas ao Brasil — informação que não procede.
“Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o senador.
O discurso ecoa a retórica usada por Jair Bolsonaro em 2022, quando insinuou que o sistema não seria confiável. O evento contou com diplomatas de mais de 40 países, incluindo Estados Unidos, China, Alemanha, Reino Unido, Japão, Israel, Canadá, México e União Europeia.
Nos bastidores do TSE, a comparação com o caso Francischini foi imediata. Na ocasião, o então deputado estadual transmitiu ao vivo alegações falsas de que urnas impediam votos em Bolsonaro, resultando em sua cassação — decisão considerada um marco contra a desinformação eleitoral.
Até o momento, não há procedimento aberto contra Flávio Bolsonaro. Segundo apuração de O Globo, qualquer medida dependerá de provocação de partidos, candidatos ou do Ministério Público Eleitoral, que poderiam questionar se houve abuso ou infração prevista na legislação.