Investigação da PF cita ordem de Vorcaro para esconder movimentação de avião ligado a Jaques Wagner
Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram empresário orientando uso de aeronave “que ninguém conheça” e retirada imediata do avião da Bahia
A Polícia Federal (PF) apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro, orientou que fosse adotada discrição em um voo que, segundo os investigadores, teria transportado o senador Jaques Wagner (PT-BA).
As mensagens foram encontradas no celular de Vorcaro e datam de 11 de setembro de 2024. De acordo com a investigação, o empresário determinou que fosse utilizada uma aeronave “que ninguém conheça” e orientou que ela deixasse a Bahia logo após a operação.
Em uma das mensagens atribuídas a Vorcaro, o empresário afirma: “Nem apaga o motor.” Em seguida, ainda segundo a PF, ele reforça a orientação ao interlocutor responsável pela logística do voo: “E tira o avião rápido de lá.”
Para a Polícia Federal, o conteúdo das conversas demonstra que Vorcaro exercia controle direto sobre a operação da aeronave, seja como proprietário ou controlador de fato, acompanhando em tempo real toda a execução do transporte.
Ainda conforme o relatório, o empresário questionou o motivo da demora para o embarque dos passageiros. Em resposta, o interlocutor enviou uma lista com os nomes das pessoas que estariam no voo, entre eles o de Jaques Wagner. Após uma ligação telefônica, Vorcaro recebeu a confirmação de que o embarque havia sido realizado.
Cerca de 50 minutos depois, o empresário voltou a pedir informações sobre a operação e foi informado de que os passageiros já haviam desembarcado e que um deles “está pegando táxi para sua casa”. Somente após essa atualização, segundo a PF, Vorcaro determinou que a aeronave fosse retirada rapidamente do estado.
A investigação também afirma que Jaques Wagner utilizou aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro em pelo menos quatro ocasiões. Em uma delas, em novembro de 2023, o senador teria enviado um áudio a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, para combinar uma viagem. Em outro episódio, ocorrido em abril de 2024, a PF afirma que Wagner e Augusto Lima trocaram uma ligação telefônica e, na sequência, o empresário compartilhou com o senador o contato identificado como “Breno Copiloto Banco”, além de encaminhar o número de Wagner ao piloto.
Segundo os investigadores, a dinâmica dessas conversas reforça a hipótese de que as aeronaves utilizadas pertenciam ou eram operadas por uma estrutura vinculada ao Banco Master.
Jaques Wagner é investigado na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas vantagens indevidas e eventual atuação do parlamentar em favor de interesses do Banco Master. A defesa do senador nega irregularidades.