Jerônimo se reuniu com ex-sócio de Vorcaro e firmou parceria com instituto alvo da PF
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) participou, em novembro de 2023, de um encontro com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e hoje um dos investigados pela Polícia Federal no caso que envolve a instituição financeira. À época, Lima, Vorcaro ou o Master não eram investigados e a agenda foi pública. Na ocasião, o Governo da Bahia firmou uma parceria com o Instituto Terra Firme, fundado por Lima, para ações ligadas ao programa Bahia Sem Fome.
O encontro ocorreu em 6 de novembro de 2023, durante o lançamento do Instituto Terra Firme, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em Salvador. O próprio Governo do Estado divulgou que Jerônimo assinou um termo de parceria com a entidade, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), para implantação de bancos de alimentos nos 27 territórios de identidade da Bahia.
Augusto Lima, conhecido como Guga, era naquele período sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. O empresário posteriormente passou ao centro das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco. Lima chegou a ser preso e atualmente responde às investigações em liberdade, usando tornozeleira eletrônica. Sua defesa nega participação nas irregularidades investigadas.
A relação de Lima com nomes do PT baiano também aparece nos relatórios da Polícia Federal. Segundo a investigação, o empresário mantinha relação próxima com o senador Jaques Wagner (PT), que teve ao menos 74 ligações com Lima entre novembro de 2023 e maio de 2025. A PF afirma que a interlocução criou canais para tratar de pautas e operações de interesse do Banco Master. Wagner nega ter recebido vantagens indevidas ou atuado ilegalmente em favor da instituição.
Documentos da investigação mostram ainda Wagner articulando encontros de Augusto Lima com autoridades. Em um dos episódios, o senador buscou organizar uma reunião considerada “discreta” entre Lima e uma pessoa identificada pela PF como possível referência ao advogado-geral da União, Jorge Messias. Messias nega que o encontro tenha ocorrido. Em outra troca de mensagens, Wagner aparece sendo procurado por Lima para fazer uma ponte com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a respeito do próprio Instituto Terra Firme. O ministério afirmou que a ministra não manteve contato sobre a entidade.
Em junho de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandados na Terra Firme da Bahia Ltda, empresa ligada a Augusto Lima, durante a nona fase da Operação Compliance Zero. A empresa, segundo a investigação, aparece em apurações sobre pagamentos e operações relacionadas ao núcleo investigado no caso Master. A PF e veículos que inicialmente atribuíram a busca ao Instituto Terra Firme esclareceram posteriormente que são pessoas jurídicas distintas e que o Instituto não foi alvo daquele mandado.
A proximidade de Augusto Lima com Wagner também é um dos eixos investigados pela PF. O senador foi alvo da mesma fase da Compliance Zero e nega irregularidades. Lima também rejeita as acusações e afirma, por meio de sua defesa, que sua inocência será comprovada no curso das investigações.