Kassab filia outro governador do UB ao PSD
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, filiou na sexta-feira (30) o governador de Rondônia, Marcos Rocha, fortalecendo a presença do partido entre os chefes de Executivo estadual e aprofundando a reconfiguração do campo da direita para as eleições presidenciais. Rocha é o segundo governador oriundo do União Brasil a migrar para o PSD em menos de uma semana.
A movimentação ocorre dias após Kassab anunciar a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também ex-União Brasil, além de um acordo político com Caiado, Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) para a construção de uma candidatura única à Presidência da República. A definição do nome deverá ocorrer em abril, com base em pesquisas eleitorais.
Com essas articulações, Kassab abre uma fissura no campo bolsonarista, isolando o projeto presidencial da família Bolsonaro, hoje centrado no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao mesmo tempo, atrai figuras alinhadas ao ex-presidente, como Marcos Rocha, que foi reeleito em 2022 com apoio de Jair Bolsonaro.
Conhecido como coronel Marcos Rocha, o governador de Rondônia já se posicionou publicamente contra a prisão do ex-presidente, condenado a mais de 27 anos de prisão por liderar uma tentativa de golpe para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No novo partido, Rocha deve disputar uma vaga ao Senado Federal, contribuindo para o fortalecimento da bancada do PSD na Casa.
Atualmente, o partido conta com 14 senadores, dos quais apenas dois permanecem para a segunda metade do mandato de oito anos. Kassab afirmou recentemente que a expectativa é, no mínimo, manter o tamanho da bancada, hoje a segunda maior do Senado, com 81 parlamentares no Congresso Nacional.
A filiação de Rocha também amplia a liderança do PSD entre os governadores. Antes, a sigla já detinha o maior número de chefes estaduais, com cinco dos 27 governadores, passando agora a seis.
Nos bastidores, a estratégia de Kassab é considerada a movimentação mais relevante do cenário político neste início de ano, especialmente diante das incertezas sobre a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro ou uma eventual entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa presidencial.
Aliado de Tarcísio no governo paulista, Kassab já declarou apoio ao governador em qualquer cenário, mas se moveu para inserir o PSD como terceira força competitiva na corrida ao Planalto. A aposta é que um nome do partido alcance patamares próximos aos 20% de intenção de voto hoje atribuídos a Flávio Bolsonaro, reunindo eleitores de direita e setores de centro que rejeitam tanto Lula quanto o bolsonarismo mais radical.
Mesmo sem garantia de candidatura própria viável, Kassab se posiciona como um ator decisivo, no papel de “kingmaker”, capaz de influenciar o resultado da eleição. A estratégia reflete a tradição do PSD, partido que evita alinhamentos automáticos e mantém diálogo com diferentes campos políticos — inclusive com o atual governo federal, onde a sigla comanda três ministérios.
Esse movimento, no entanto, intensificou críticas de aliados de Bolsonaro, que passaram a atacar Kassab e a levantar a hipótese de uma eventual aliança do PSD com Lula ainda no primeiro turno. Também houve ruídos com Tarcísio, após Kassab comentar que a visita do governador paulista a Bolsonaro na prisão demonstrava caráter, mas não poderia soar como submissão.
Diante desse cenário, aliados avaliam que o plano de Kassab integrar uma futura chapa majoritária pode sofrer ajustes, enquanto o PSD segue ampliando seu peso político e se consolidando como uma das principais forças partidárias do país.