Líder do PSB defende cassação de Carla Zambelli e critica decisão de levar caso ao plenário
Deputada está presa na Itália e foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do CNJ
O líder do PSB na Câmara, deputado Pedro Campos (PE), afirmou nesta quarta-feira (24) que será um “constrangimento” para a Câmara dos Deputados caso a Casa decida não cassar o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A parlamentar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e está presa na Itália desde 29 de julho.
A decisão sobre a cassação será tomada pelo plenário da Câmara, após parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que ouviu Zambelli durante sessão nesta quarta-feira. O governo italiano ainda analisa o pedido de extradição apresentado pelo Brasil.
Durante entrevista, Pedro Campos argumentou que a permanência de Zambelli no cargo representaria um sinal negativo para a sociedade e para o próprio Parlamento.
“Se essa Casa decidir que ela pode continuar a exercer o mandato, basicamente estará dizendo que uma pessoa presa, seja na Itália ou em regime fechado aqui no Brasil, pode manter o mandato de deputada federal. Isso é um constrangimento e um absurdo que a sociedade não vai aceitar nem admitir”, declarou.
O parlamentar reforçou que não há espaço para uma deputada exercer funções legislativas enquanto cumpre pena.
“Aqui nesse Parlamento cabe todo tipo de visão, mas não cabe uma deputada presa estar exercendo o mandato. Esse Parlamento não pode virar um lugar onde as pessoas estão presas e deputadas ao mesmo tempo”, completou.
Pedro Campos também criticou a Mesa Diretora da Câmara e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), por encaminharem a decisão final ao plenário, em vez de deliberarem diretamente pela perda do mandato.
“Em respeito à população, a Mesa deveria ter decidido pela perda do mandato e permitido que o suplente assumisse. Não se pode transformar a condenação na Justiça de alguém que fugiu do país, foi presa na Itália, em uma narrativa de heroísmo e proteção de prerrogativas parlamentares”, afirmou.